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Agência dos Estados Unidos eleva chance de El Niño muito forte e alerta agro

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NOAA indica 81% de probabilidade de intensidade máxima entre outubro e dezembro, alertando para impactos no agronegócio global

A nova atualização da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) acendeu um sinal de alerta para o agronegócio global.

A agência elevou significativamente a probabilidade de que o atual El Niño alcance intensidade “muito forte” nos próximos meses, aumentando as chances de impactos relevantes sobre a produção agrícola em diferentes regiões do mundo, inclusive no Brasil.

Segundo a nova projeção divulgada nesta semana, há 81% de probabilidade de o fenômeno atingir a categoria de El Niño muito forte entre outubro e dezembro deste ano, acima dos 63% estimados no mês anterior.

A NOAA também estima 97% de chance de que o fenômeno permaneça ativo até o início de 2027, indicando um evento mais intenso e mais duradouro do que se previa anteriormente.

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, alterando a circulação atmosférica e os padrões de chuva em diversas partes do planeta. No Brasil, os efeitos variam conforme a região, podendo beneficiar algumas culturas e prejudicar outras.

Impactos no agro

Para o agronegócio brasileiro, o principal impacto esperado é uma redistribuição das chuvas. Historicamente, eventos de El Niño favorecem precipitações acima da média no Sul do país, enquanto aumentam o risco de estiagens no Norte e em parte do Nordeste.

O Centro-Oeste e o Sudeste podem registrar maior irregularidade climática, especialmente durante o desenvolvimento da safra de verão.

No Sul, a maior disponibilidade de água tende a favorecer culturas como soja, milho de primeira safra e trigo, desde que o excesso de chuva não comprometa o plantio ou a colheita. Em contrapartida, volumes elevados podem dificultar operações no campo, aumentar a incidência de doenças fúngicas e elevar os custos com defensivos.

Já no Centro-Oeste, principal região produtora de soja e milho do país, a preocupação está na distribuição das chuvas.

Caso ocorram atrasos no início da estação chuvosa ou períodos prolongados de veranico, o calendário da soja pode ser afetado, reduzindo a chamada “janela ideal” para o plantio do milho safrinha, responsável por cerca de 80% da produção nacional do cereal.

Café e cana

A produção de café também entra no radar. Temperaturas mais elevadas e chuvas irregulares durante fases críticas do desenvolvimento das lavouras podem afetar o potencial produtivo, especialmente nas áreas de arábica do Sudeste.

Na cana-de-açúcar, por outro lado, o efeito dependerá da distribuição regional das chuvas: excesso de precipitação pode reduzir o teor de açúcar, enquanto estiagens prolongadas limitam o desenvolvimento da cultura.

O mercado acompanha o fenômeno com atenção porque alterações climáticas costumam provocar movimentos nos preços internacionais das commodities agrícolas. Além do Brasil, países como Austrália, Índia, Indonésia e partes da África também podem enfrentar mudanças importantes no regime de chuvas, influenciando a oferta global de alimentos.

Apesar do aumento da confiança na previsão, meteorologistas ressaltam que o El Niño não determina sozinho o comportamento do clima. Outros fatores, como o aquecimento do Atlântico Tropical e sistemas atmosféricos regionais, podem reforçar ou amenizar seus efeitos sobre o território brasileiro. Por isso, os impactos variam entre estados e até entre municípios.

Em seu boletim mais recente, a NOAA afirma que o fenômeno já está estabelecido e deve continuar se intensificando ao longo do segundo semestre. A agência destaca que o atual episódio tem potencial para figurar entre os mais fortes desde o início dos registros modernos, em 1950, caso as projeções se confirmem.

CNN Brasil| Fernanda Pressinott

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