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BNDES busca solução para dívida da Raízen e tem interesse na recuperação da empresa

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Mercadante afirma que financiamentos do banco à empresa contam com garantia real, que são as próprias usinas; presidente do BNDES destaca que ativos da Cosan podem interessar à Petrobras

O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, disse que o banco está empenhado em buscar uma solução para a Raízen, uma joint venture entre a Cosan e a Shell, dona de cerca de nove mil postos de combustíveis. Na semana passada, a companhia protocolou pedido de recuperação extrajudicial para renegociar dívidas de aproximadamente R$ 65,1 bilhões.

Mercadante disse que o BNDES não faz parte do processo de recuperação extrajudicial, já que seus financiamentos contam com garantia real, que são as próprias usinas. Fazem parte da lista de credores bancos como The Bank of New York Mellon, True, Pentágono, entre outros.

“Temos todo o interesse que essa empresa se recupere. E tem um peso muito grande no setor de biocombustíveis. Estamos ajudando a encontrar uma boa solução para a empresa”, disse Mercadante em coletiva de imprensa para detalhar os resultados financeiros de 2025.

Mercadante lembrou que a Cosan, um dos sócios da Raízen, tem ativos muito sólidos e estratégicos, como na área de gás e na rede de postos. “Esses ativos podem vir a ser de interesse da Petrobras. Têm sinergia com a Petrobras, mas é preciso ver com a empresa se há interesse. E mesmo na área de biocombustíveis”, afirma e segue: “O aumento do preço do barril de petróleo vai beneficiar o setor de etanol, que é um substituto direto para a frota”.

A Raízen estima que, nos próximos 24 meses, terá que desembolsar R$ 13 bilhões para amortizar dívidas. A reestruturação financeira da companhia envolve a capitalização pelos acionistas. A Shell vai injetar R$ 3,5 bilhões na empresa e a Aguassanta Investimentos, holding financeira do empresário Rubens Ometto, colocará mais R$ 500 milhões.

Ometto é o controlador da Cosan, mas a empresa já informou que não tem recursos para acompanhar a capitalização na mesma proporção que a Shell. “A Cosan tem uma dívida elevada e passa por um processo de ajuste que está em curso”, lembra Mercadante.

O plano de reestruturação, diz a Raízen, inclui também a conversão de parte das dívidas em participação acionária na companhia, em percentual que ainda será definido, a substituição de obrigações por novas dívidas e a reorganização societária. Também está prevista a venda de ativos da Raízen.

O Globo| Bruno Rosa

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