O avanço da produção de açúcar no Brasil tem pressionado as cotações internacionais, à medida que as usinas ampliam o direcionamento da cana para a fabricação do adoçante em detrimento do etanol.
O contrato de açúcar bruto com vencimento em maio caiu 0,11 centavo de dólar, ou 0,7%, a 15,76 centavos de dólar por libra-peso, depois de atingir uma máxima de cinco meses, de 15,97 centavos de dólar por libra-peso, na quinta-feira. Por sua vez, o contrato mais ativo de açúcar branco perdeu 0,2%, para US$ 458,60 a tonelada.
Os preços do açúcar encerraram a sexta-feira em queda, influenciados principalmente pelo aumento da oferta brasileira. Dados divulgados pela UNICA indicam que a produção acumulada de açúcar no Centro-Sul na safra 2025/26 — considerando o período de outubro até a primeira quinzena de março — avançou 0,7% na comparação anual, totalizando 40,25 milhões de toneladas.
De acordo com a entidade, o mix açucareiro também se elevou, com 50,61% da cana sendo destinada à produção de açúcar, ante 48,08% no mesmo período da safra anterior. O movimento reforça a estratégia das usinas de priorizar o adoçante em um cenário de maior atratividade relativa frente ao etanol.
Apesar da pressão vinda da oferta, os preços chegaram a ensaiar recuperação recente. Na quinta-feira, o açúcar negociado em Nova York atingiu o maior nível em cinco meses e meio, impulsionado pela forte valorização do petróleo bruto, que alcançou o maior patamar em quase quatro anos. O avanço do petróleo tende a elevar a competitividade do etanol, incentivando as usinas a direcionarem maior volume de cana para o biocombustível, o que, em tese, poderia limitar a produção de açúcar.
Outro fator de suporte às cotações tem sido a disrupção no comércio global. O fechamento do Estreito de Ormuz, segundo a Covrig Analytics, reduziu em cerca de 6% o fluxo global de açúcar, restringindo especialmente a produção de açúcar refinado.
Ainda assim, o cenário estrutural segue pressionado pelo excedente global. No início do mês, os preços do açúcar chegaram a renovar mínimas de cinco anos e meio nos contratos mais próximos, refletindo a expectativa de manutenção de superávit no mercado internacional.
Projeções de consultorias e tradings reforçam esse quadro. A Czarnikow estima superávit global de 3,4 milhões de toneladas na safra 2026/27, após um excedente de 8,3 milhões de toneladas em 2025/26. A Green Pool Commodity Specialists projeta saldo positivo de 2,74 milhões de toneladas em 2025/26 e de 156 mil toneladas no ciclo seguinte. Já a StoneX prevê superávit de 2,9 milhões de toneladas para a safra 2025/26.
O conjunto desses fatores — maior produção no Brasil, incertezas geopolíticas e a perspectiva de excedente global — segue ditando a dinâmica recente dos preços do açúcar no mercado internacional.
Com informações da Barchart

