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BrasilAgro tem lucro no trimestre, mas cana-de-açúcar pressiona resultado do semestre

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Receita cresce no 2T26 e companhia volta ao lucro no período, enquanto menor produção e rentabilidade da cana impactam o desempenho acumulado da safra

A BrasilAgro encerrou o segundo trimestre do ano-safra 2025/26 com lucro líquido operacional de R$ 2,5 milhões, revertendo o prejuízo registrado no mesmo período do ciclo anterior. No acumulado do semestre, porém, a companhia ainda apresentou prejuízo de R$ 61,8 milhões, em um contexto marcado pela menor contribuição da cana-de-açúcar, que apresentou queda de produção, receita e margem ao longo do período. Os dados foram divulgados em relatório de resultados na última sexta-feira, dia 06.

No trimestre, a receita líquida operacional somou R$ 191,1 milhões, alta de 25% na comparação anual. Já no acumulado dos seis primeiros meses do exercício, a receita atingiu R$ 494,0 milhões, crescimento de 3% frente ao mesmo intervalo da safra passada. De acordo com a companhia, apesar do avanço da receita, o desempenho semestral refletiu a mudança no mix de culturas, com menor peso da cana-de-açúcar.

O EBITDA ajustado totalizou R$ 7,0 milhões no trimestre, queda de 77% em relação ao 2T25. No semestre, o indicador alcançou R$ 71,3 milhões, recuo de 23% na comparação anual. Segundo André Guillaumon, CEO BrasilAgro, em relatório, o desempenho do período foi impactado principalmente pela menor contribuição da cana, parcialmente compensada pela evolução consistente das culturas de grãos e algodão.

Produção da cana-de-açúcar e impactos no resultado econômico-financeiro

A cana-de-açúcar respondeu por R$ 156,9 milhões da receita líquida no semestre, queda de 31% frente aos R$ 228,7 milhões registrados nos seis primeiros meses da safra anterior. No trimestre, a retração foi ainda mais acentuada, com receita de R$ 28,1 milhões, recuo de 56% na comparação anual.

Em volume, a quantidade de cana faturada somou 971,5 mil toneladas no semestre, redução de 28% em relação ao mesmo período do ciclo anterior. No segundo trimestre, o volume caiu 52%, para 167,4 mil toneladas. O preço médio também apresentou retração, passando de R$ 171 para R$ 161 por tonelada no comparativo semestral.

A colheita da safra de cana-de-açúcar foi encerrada em novembro, com 1,74 milhão de toneladas colhidas e produtividade média de 67,55 toneladas por hectare (TCH), queda de 22% em relação à estimativa inicial. Segundo a companhia, o desempenho abaixo do esperado foi resultado da idade avançada do canavial, do déficit hídrico ao longo do desenvolvimento da cultura e das temperaturas elevadas.

A BrasilAgro também destacou a ocorrência de geadas em Brotas (SP), incidência de pragas no Mato Grosso e uma queimada que atingiu parte da Fazenda São José, fatores que contribuíram para a redução da produtividade agrícola ao longo do ciclo.

Margem, custos e perspectivas para a próxima safra

Como reflexo direto desses fatores, a margem bruta da cana-de-açúcar no semestre ficou em 16%, queda de 20 pontos percentuais em relação aos 36% registrados no mesmo período da safra anterior. O resultado bruto total da cultura somou R$ 25,7 milhões, recuo de 69% na comparação anual.

O custo de produção da cana-de-açúcar na safra 2025/26 foi estimado em R$ 11.735 por hectare, alta de 16% em relação ao ciclo anterior. No semestre, o custo total da cana vendida atingiu R$ 131,2 milhões, queda de 11%, reflexo do menor volume comercializado no período.

O CEO BrasilAgro, ressaltou em relatório ainda que, embora o resultado semestral ainda reflita os impactos da menor contribuição da cana-de-açúcar, o desempenho operacional das demais culturas foi consistente, contribuindo para sustentar a receita ao longo do período. A BrasilAgro destacou ainda a manutenção de investimentos voltados à reestruturação de áreas, renovação do canavial e expansão de projetos de irrigação, com foco em eficiência operacional e mitigação de riscos climáticos.

Para a safra 2026, a expectativa é de recuperação da produção de cana-de-açúcar, com 2,18 milhões de toneladas estimadas e produtividade média de 79,51 toneladas por hectare, apoiadas na renovação do canavial e na normalização das condições produtivas. A área colhida deve alcançar 27,4 mil hectares, crescimento de 4% em relação ao ciclo anterior.

Grãos e algodão sustentam receita e compensam parcialmente menor peso da cana

De acordo com a companhia, o desempenho das culturas de grãos e algodão foi um dos principais fatores de sustentação da receita ao longo do semestre, compensando parcialmente a menor contribuição da cana-de-açúcar. No acumulado dos seis primeiros meses da safra 2025/26, a receita líquida sem a cana apresentou crescimento expressivo, impulsionada principalmente por soja, milho e algodão pluma, que registraram avanço relevante tanto em volumes comercializados quanto em receita.

A BrasilAgro destacou que, desconsiderando a cana-de-açúcar, a receita líquida cresceu 35% no semestre, passando de R$ 249,7 milhões para R$ 337,2 milhões, refletindo a boa performance operacional das demais culturas. No mesmo comparativo, a quantidade total vendida, excluindo a cana, avançou 38%, evidenciando a contribuição dos grãos e do algodão para o resultado econômico-financeiro do período.

Segundo a administração, esse desempenho foi favorecido pelo encerramento estratégico das vendas dos estoques remanescentes da safra anterior, o que permitiu a captura de melhores níveis de preços ao longo do semestre, além da flexibilidade do modelo operacional e comercial da companhia.

Natália Cherubin para RPAnews

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