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Com SAF, aviação deve ser a primeira cadeia a se descarbonizar, diz CEO da Raízen

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A demanda por etanol deve ser impulsionada pela necessidade de produção de combustível sustentável de aviação (SAF, em inglês), que deve ser “a primeira cadeia a se descarbonizar”, defende o diretor-executivo (CEO) da Raízen, Ricardo Mussa. Por esse motivo, o executivo não vê “problemas de demanda nos próximos 20 anos”.

Durante o evento Agro Summit, realizado pelo Bradesco BBI nesta quarta-feira, 11, em São Paulo (SP), Mussa defendeu a implementação de políticas públicas para apoiar a produção de SAF, argumentando que o custo elevado da produção poderia ser compensado com maior segurança para investidores. “Quando você tem uma política pública, você dá segurança para o investimento e o Brasil é o país certo para fazer investimento”, afirmou.

Mussa apontou distorções no mercado de etanol, argumentando que a produção de SAF diretamente no Brasil tornaria o processo mais eficiente, reduzindo os custos e as emissões de carbono.

“Você exporta etanol para os Estados Unidos, que transformam em SAF e exportam para a Europa. Produzir próximo ao etanol reduziria as emissões”, disse, destacando Paulínia (SP) como um local estratégico para essa produção devido à sua proximidade com o porto de Santos e à abundância de etanol na região.

O CEO defendeu o uso mais eficiente da biomassa da cana-de-açúcar, especialmente do bagaço, que atualmente é usado de maneira limitada para gerar energia elétrica e vapor nas usinas. Ele destacou o valor do etanol de segunda geração, produzido a partir desse resíduo, no mercado europeu, por não competir com a produção de alimentos.

Mussa considera “pouco nobre” usar o bagaço apenas para operar as usinas e sugeriu que o Brasil deveria se concentrar em eletrificar as usinas para exportar etanol produzido a partir da biomassa, consolidando-se como um grande exportador de biocombustíveis e consumidor de energia elétrica renovável e barata.

O executivo destacou a vantagem do etanol devido à sua cadeia carbônica mais curta e a crescente demanda global por descarbonização em diversos setores, como a indústria química e cosmética.

Sobre a COP30 em Belém no próximo ano, o CEO defende que sejam abordadas um número reduzido de pautas para garantir maior assertividade no plano de ação.

Etanol de milho

O CEO destacou que o etanol de milho está transformando o mercado de combustíveis ao se expandir para regiões antes não exploradas. Em sua análise, Mussa afirmou que o etanol de milho não está substituindo o etanol de cana-de-açúcar, mas sim a gasolina, o que representa um avanço positivo para o setor.

Ele esclareceu que o etanol de cana tem um foco maior na exportação, enquanto o etanol de milho atende predominantemente à demanda interna. “Minha leitura é que teremos o etanol de milho muito presente como carburante aqui no Brasil, abrindo muito espaço para bombas novas de combustível e etanol no Brasil inteiro. A Raízen optou por olhar para o mercado externo, a gente consegue um prêmio elevado por estar dentro do mercado de exportação brasileiro”, disse.

Mussa também reconheceu que, se pudesse voltar no tempo, teria investido no setor de milho, admitindo que subestimou o potencial do etanol de milho.

Atualmente, a Raízen não está considerando novas aquisições, pois ainda está assimilando a compra da Biosev, realizada há três anos, disse o CEO. A empresa está focada em cortar custos e não vê grandes vantagens em novas aquisições no momento.

Com informações do Globo Rural/Gabriella Weiss
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Episódio 23: O etanol de milho pode mudar o futuro das usinas brasileiras?

Episódio 22: Como as tecnologias e a IA impactam as operações agrícolas?

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