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Coruripe aumenta moagem em 7% e produtividade em 17,4% na safra 2026/27

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Companhia processou 6,45 milhões de toneladas de cana até julho e ampliou produção de etanol em 40,3%; EBITDA ajustado recuou 29,1%, para R$ 292,9 milhões

A Usina Coruripe processou 6,45 milhões de toneladas de cana-de-açúcar nos quatro primeiros meses da safra 2026/27, entre abril e julho, crescimento de 7% em relação às 6,03 milhões de toneladas registradas no mesmo período do ciclo anterior. O avanço da moagem foi acompanhado por ganhos expressivos de produtividade agrícola: o TCH aumentou 17,4%, para 92,35 toneladas por hectare, enquanto o ATR por hectare avançou 18,8%, para 11.746 kg/ha. Os dados constam do relatório operacional-financeiro divulgado pela companhia em 19 de agosto.

A qualidade da matéria-prima também apresentou melhora. O ATR médio da cana processada passou de 125,71 kg/t na safra 2025/26 para 127,18 kg/t no atual ciclo, alta de 1,2%, enquanto a POL da cana aumentou 1,3%, de 12,45% para 12,61%.

Do total processado até julho, 2,53 milhões de toneladas corresponderam à cana própria, volume 13,4% superior ao registrado no mesmo período da safra passada. A cana fornecida por terceiros somou 3,92 milhões de toneladas, crescimento de 3,2%.

Etanol cresce 40,3%

No desempenho industrial, a produção de açúcar equivalente alcançou 16,17 milhões de sacas, avanço de 9,4% na comparação anual. A produção total de açúcar, entretanto, recuou 4%, de 9,92 milhões para 9,52 milhões de sacas.

A fabricação de açúcar VHP caiu 6,1%, para 424,99 mil toneladas, enquanto a produção de açúcar cristal cresceu 18,2%, alcançando 1,02 milhão de sacas.

O maior crescimento ocorreu no etanol. A Coruripe produziu 188,14 mil metros cúbicos do biocombustível entre abril e julho, alta de 40,3% frente aos 134,13 mil metros cúbicos registrados no mesmo período da safra anterior. A produção de anidro avançou 46,4%, para 96,28 mil m³, enquanto a de hidratado aumentou 34,3%, chegando a 91,86 mil m³.

Na cogeração, a produção de energia elétrica permaneceu praticamente estável, em 288,90 mil MWh, alta de 0,2%. A eficiência industrial ficou em 89,23%, ante 89,49% no mesmo período da safra passada.

Segundo a companhia, o desempenho operacional reflete os ganhos de produtividade e eficiência agrícola e industrial. A Coruripe também destaca que o aumento da produção ocorreu em um ambiente de preços mais desafiador para os produtos comercializados, o que limitou a conversão dos avanços operacionais em receita e margem.

Preços menores pressionam receita

Os números comerciais mostram queda nos preços médios dos principais produtos da companhia. No açúcar VHP, o preço bruto médio recuou 21,3%, de R$ 2.436,87 para R$ 1.917,64 por tonelada. No cristal, a redução foi de 27,1%, para R$ 102,21 por saca.

No etanol, o preço médio caiu 8,4%, para R$ 2.902,56 por metro cúbico. O anidro apresentou redução de 9,7%, para R$ 2.862,95/m³, enquanto o hidratado recuou 7%, para R$ 2.947,93/m³. Em sentido contrário, o preço médio da energia elétrica avançou 5,9%, para R$ 223,43/MWh.

Nesse cenário, a receita bruta comercial, desconsiderando a revenda de energia, somou R$ 1,15 bilhão, queda de 15,4% frente aos R$ 1,36 bilhão do mesmo período da safra anterior. A receita com açúcar caiu 20,2%, para R$ 710,58 milhões, enquanto a receita com etanol recuou 10,2%, para R$ 336,61 milhões. Já a receita com energia elétrica cresceu 10,6%, alcançando R$ 38,72 milhões.

Pelo demonstrativo consolidado em BRGAAP, a receita líquida de vendas ficou em R$ 1,095 bilhão até julho, retração de 15,7% na comparação com R$ 1,300 bilhão registrados no mesmo intervalo do ciclo anterior. O lucro bruto caiu 53,7%, para R$ 165,88 milhões.

O EBITDA atingiu R$ 293,93 milhões, redução de 45,4%. Já o EBITDA ajustado somou R$ 292,95 milhões, 29,1% abaixo dos R$ 413,10 milhões registrados no mesmo período da safra 2025/26.

A companhia encerrou o período com prejuízo líquido de R$ 2,02 bilhões, ante prejuízo de R$ 104,55 milhões no mesmo intervalo do ciclo anterior. O resultado foi impactado principalmente pelas despesas financeiras líquidas, que alcançaram R$ 2,10 bilhões. Segundo o relatório, o resultado financeiro também foi afetado por um efeito negativo de R$ 1,55 bilhão relacionado à operação de monetização de créditos, incluindo o deságio gerado na venda.

Dívida líquida cai para R$ 2,78 bilhões

Apesar do impacto sobre o resultado financeiro, a operação de monetização também teve efeito sobre a liquidez da companhia. Segundo a Coruripe, foram gerados R$ 1,5 bilhão em recursos, contribuindo para a redução do endividamento.

Em julho, a dívida bruta somava R$ 3,48 bilhões, queda de 24,5% na comparação anual. A dívida líquida recuou 31,4%, para R$ 2,78 bilhões.

Considerando também os estoques de produtos acabados disponíveis para venda, a dívida líquida de caixa e estoques encerrou julho em R$ 2,40 bilhões, redução de 34,7% em relação ao mesmo período da safra anterior.

Natália Cherubin para RPAnews

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