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Credores começam a ver cisão da Raízen como uma alternativa positiva

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Bancos e detentores de títulos avaliam separação de negócios de usinas e de distribuição

Os bancos credores e os detentores de títulos de dívida da Raízen estão dando um passo atrás e entendendo que segregar os negócios de usinas e os de distribuição de combustíveis pode ter um sentido econômico relevante para todos, apurou a Coluna do Broadcast.

A leitura é a de que, com as operações separadas, pode ser mais fácil chegar às alternativas de saída aos credores, como a chegada de outros investidores ou a realização de transações em bolsa.

Além disso, ainda não se desistiu da ideia de buscar algum aporte da Cosan no aumento de capital da Raízen, medida que fontes próximas à companhia dizem não ser possível, exceto com a participação de um terceiro sócio, como havia sido proposto, anteriormente, com o BTG Pactual.

Com a separação dos negócios, o porcentual de dívida que terá de ser convertido em ações pode diminuir. Nas conversas que acontecem neste momento, o que está sendo proposto pela Shell é a conversão em ações de 40% a 50% das dívidas de bancos e investidores que compraram títulos emitidos pela empresa, como bonds, debêntures e certificados de recebíveis do agronegócio.

O cenário considera a injeção de capital na Raízen de R$ 4 bilhões anunciada por Shell e por Rubens Ometto, por meio de seu family office Aguassanta. “É o que cabe para a empresa ficar minimamente saudável”, disse uma das fontes próximas à negociação.

Mesmo assim, fontes disseram que os credores, especialmente os bancos, têm insistido em uma capitalização maior dos acionistas, no caso Shell e da Cosan, ainda que o BTG tenha enterrado essa ideia. Agora, a cifra total que acreditam ser necessária varia de R$ 8 bilhões a R$ 10 bilhões. Inicialmente, chegaram a exigir R$ 25 bilhões.

Plano final deve sair em junho

Os credores estão neste momento acessando documentos da Raízen, conduzindo reuniões com a companhia e as partes já trabalham em hipóteses sobre o desenho de uma proposta de plano para ser discutida efetivamente nos próximos dois meses.

A intenção de todas as partes, de acordo com uma das fontes com conhecimento do assunto ouvidas, é a de que o plano final de recuperação extrajudicial seja entregue em meados de junho, dentro do prazo de 90 dias previsto na lei para ser homologado. “As conversas estão acontecendo e as propostas sendo postas na mesa”, disse outra fonte ouvida.

No pano de fundo desta “conclusão” está o desejo dos credores de terem o mínimo possível de ações da Raízen em uma esperada conversão de dívida em participação.

Os credores poderiam, inclusive, ficar em um bloco fora do controle da Raízen, com assentos em conselho e influência. Nesse desenho, que não tem consenso ainda, o controle ficaria com Shell, Cosan e Rubens Ometto, sendo a petroleira anglo-holandesa com uma fatia maior.

Interlocutores dizem que os credores fizeram a leitura de que o negócio de açúcar e etanol, dependente de ciclos de safra, comporta um volume menor de dívidas, além de ser menos atraente para a eventual entrada de algum sócio ou outra saída que venha a ser buscada.

Já a operação de distribuição de combustíveis, ainda que carregue dificuldades intrínsecas do setor, como tributárias e de competição desleal, é mais estável e pode atrair potenciais investidores.

Proposta inicial

Este era um plano inicial desenhado pela Cosan e por seu sócio BTG Pactual. A área de private equity do banco, onde estão também recursos de sócios da instituição, faria uma injeção de R$ 5,3 bilhões na operação de distribuição e assumiria uma alavancagem (dívida líquida em relação ao Ebitda) de três vezes. A operação das usinas restaria com uma alavancagem em torno de 1,4 e 1,5 vez.

A ideia foi rechaçada por credores e Shell, que assumiu a condução das negociações com os credores. Agora, as conversas migram para uma eventual cisão dos negócios, mas o BTG Pactual, por enquanto, está fora da mesa.

A Raízen entrou com pedido de recuperação extrajudicial citando dívidas de R$ 65 bilhões. A empresa tem US$ 5 bilhões em dívidas com detentores de bonds no exterior, outros US$ 5 bilhões com bancos e US$ 3 bilhões com títulos no mercado local.

Com a palavra

A Raízen é representada por E. Munhoz Advogados, Pinheiro Neto, XGIVS Advogados, TWK Advogados e Cleary Gotlieb, com assessoria financeira de Rotschild e Alvares e Marsal.

Os bondholders têm a Moelis & Co como assessora financeira e White & Case e Paddis Mattar como conselheiros legais. Os bancos são assessorados pelo FTI do lado financeiro e têm Machado Meyer e Mayer Brown como conselheiros legais.

Procurada, Shell, Cosan e Raízen não comentaram.

Agência Estao| Cynthia Decloedt, Ivo Ribeiro e Talita Nascimento

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