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De Olho no Material Escolar lança novo diagnóstico sobre o agro nos livros didáticos

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Quatro anos depois de estudo inédito, e após promulgação do novo Plano Nacional de Educação (PNE), Associação assina parceria com Unesp para reavaliar livros

Quatro anos depois de um estudo mostrar diversos problemas no tratamento dado à indústria do agronegócio nos conteúdos didáticos utilizados nas escolas brasileiras, a Associação De Olho no Material Escolar fará um novo diagnóstico, em parceria com o Centro de Inovação Tecnológica de Bauru (CITeB/Unesp), com gestão administrativa e financeira da Fundação para o Desenvolvimento da Unesp – FUNDUNESP, para aferir a evolução do retrato desse setor produtivo. O contrato foi celebrado nesta quarta-feira (10/06), em São Paulo, na presença de entidades representativas, e os resultados devem ser divulgados em cerca de seis meses.

O estudo quali-quantitativo, que contará também com as parcerias da Universidade Federal de Lavras (UFLA) e da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), vai analisar os livros das principais editoras que participam do Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD), voltados para o Ensino Fundamental II e Ensino Médio. Apenas para este ano, o MEC comprou 213,4 milhões de novos livros para as escolas públicas.

Para Letícia Jacintho, presidente da De Olho no Material Escolar, é grande a expectativa para um novo diagnóstico, principalmente depois da promulgação do novo Plano Nacional de Educação (PNE), que trouxe como uma de suas premissas o compromisso de que os livros didáticos e paradidáticos devem trazer conteúdos referenciados cientificamente, com fontes atualizadas.

“Os materiais didáticos definem o que se aprende, como se aprende e para qual mundo se aprende. Informações desatualizadas, que não acompanham as necessidades econômicas e a evolução tecnológica do país, são a base invisível dos problemas estruturais da educação”, explica Letícia, lembrando que isso se aplica não só à indústria do agronegócio, mas a outros setores produtivos relevantes.

*Pioneirismo* – Entre 2022 e 2023, a De Olho no Material Escolar realizou o primeiro estudo do tipo, com apoio da Fundação Instituto de Administração (FIA). Entre as conclusões da pesquisa, foi verificado que os conteúdos utilizados nas escolas tinham 50% de citações negativas, 35% neutras e apenas 15% positivas, quando abordavam a indústria do agronegócio. Além disso, só 3,47% das menções apareciam em textos científicos.

Com base nos resultados, a Associação convocou diversos profissionais para entender o processo de produção e distribuição de material didático, iniciando um esforço conjunto com as principais editoras do país e outros agentes relevantes na definição de políticas públicas para educação. Mais recentemente, a De Olho no Material Escolar participou ativamente das discussões que resultaram no novo PNE, em que conseguiu aprovar quase 70% de suas propostas técnicas para a melhoria da qualidade dos materiais didáticos.

Em meados de maio, a De Olho também iniciou uma parceria com a mesma Unesp e o Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), para estudo similar em relação àquele setor.

O professor Marcelo Carbone Carneiro, coordenador do CITeB/Unesp, explica que apenas ao fim do prazo será possível chegar a qualquer resultado, a partir das evidências científicas. O estudo, a partir de metodologia internacional, contará tanto com a participação de analistas, quanto com o uso de ferramentas de Inteligência Artificial (IA), devido ao volume de informações no escopo. “Temos a expertise e a isonomia da Academia para garantir que esses subsídios mostrem um retrato fiel da indústria do agro na sala de aula”.

O Diretor Vice-Presidente da FUNDUNESP, Darío Abel Palmieri, por sua vez, destacou o compromisso da Fundação com uma educação de qualidade: “Nosso objetivo é contribuir para que o debate educacional seja cada vez mais qualificado, estimulando o pensamento crítico e o acesso ao conhecimento científico por parte das futuras gerações”, disse.

*Sobre a De Olho no Material Escolar*

A Associação De Olho no Material Escolar é uma organização da sociedade civil que atua pela melhoria da educação brasileira. Seu foco é garantir aos estudantes uma aprendizagem eficaz, baseada em desempenho, vivência prática e evidências científicas. Para assegurar a qualidade dos materiais que chegam às salas de aula, a formação dos professores e uma gestão escolar orientada para resultados, a associação atua em todo o território nacional, junto ao poder público, aos setores produtivos e à sociedade, para fortalecer políticas educacionais comprometidas com a aprendizagem dos alunos.

*Sobre a Unesp*

A Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp) é uma das principais e mais prestigiadas universidades públicas do Brasil. Referência acadêmica, ocupa a 4ª posição no ranking da América Latina e é a 160ª universidade que mais produz pesquisa no mundo.

*Sobre a FUNDUNESP*

A Fundação para o Desenvolvimento da Unesp (FUNDUNESP) foi criada em 1987 com o objetivo de apoiar a Unesp no desenvolvimento de projetos de ensino, pesquisa e extensão universitária. Ao longo de seus 39 anos de história, consolidou-se como fundação de apoio e atualmente exerce essa função junto ao Centro Paula Souza (CPS), à Faculdade de Medicina de Marília (FAMEMA), ao Instituto de Pesos e Medidas do Estado de São Paulo (Ipem-SP) e à Universidade Estadual de Goiás (UEG).

*Sobre o Centro de Inovação Tecnológica de Bauru (CITeBauru)*

O Centro de Inovação Tecnológica de Bauru (CITeBauru) está credenciado à Rede Paulista de Centros de Inovação Tecnológica (RPCITec). É uma estrutura que concentra, integra e oferece um conjunto de projetos (Pesquisa, Desenvolvimento e inovação) e serviços ao processo de inovação tecnológica das empresas, do ensino, cultura maker e impressão 3D e de políticas públicas.

*Divulgação/FUNDUNESP

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