Home Últimas Notícias Governo libera R$ 270 milhões para apoiar produtores de cana do Nordeste
Últimas Notícias

Governo libera R$ 270 milhões para apoiar produtores de cana do Nordeste

Compartilhar

Medida visa amenizar perdas de até 17 mil agricultores independentes da região devido a estiagem e preços baixos

O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, reuniu-se nesta segunda-feira, 31, em João Pessoa (PB), com produtores de cana-de-açúcar e representantes do setor para discutir a operacionalização de uma subvenção econômica de até R$ 270 milhões destinada a produtores independentes do Nordeste.

O benefício prevê o pagamento de R$ 12 por tonelada de cana comercializada na safra 2025/26. A medida foi criada para ajudar produtores que enfrentaram perdas econômicas em meio a uma combinação de problemas climáticos e de mercado.

O encontro ocorreu na sede da Associação dos Plantadores de Cana da Paraíba (Asplan) e reuniu também representantes da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), responsável pela operacionalização do programa.

A subvenção foi autorizada pela Medida Provisória nº 1.374/2026 e regulamentada pelo Decreto nº 13.092/2026. O pagamento será destinado à cana produzida e entregue a usinas, destilarias ou cooperativas localizadas no Nordeste entre 1º de agosto de 2025 e 31 de julho de 2026.

Segundo o Ministério da Agricultura, a política foi criada em caráter extraordinário diante de períodos prolongados de estiagem em importantes regiões produtoras, da queda dos preços internacionais do açúcar e das dificuldades de acesso do produto brasileiro ao mercado dos Estados Unidos após a imposição de uma tarifa adicional de 50%.

O impacto é particularmente relevante para o Nordeste porque uma parcela expressiva do açúcar destinado aos Estados Unidos é produzida na região. A tarifa passou a incidir sobre uma cota de aproximadamente 155 mil toneladas de açúcar, reduzindo a competitividade da produção nordestina no mercado americano.

Durante a reunião, o presidente da Asplan, José Inácio de Morais, destacou a queda do preço recebido pelos produtores.

Segundo ele, a remuneração pela tonelada de cana, que já chegou a R$ 175, está atualmente em torno de R$ 137. Na avaliação do dirigente, o pagamento de R$ 12 por tonelada ajudará a reduzir parte das perdas enfrentadas pelos agricultores.

“Ser agricultor é difícil, e nós precisamos, sim, de políticas públicas e dessa união”, afirmou Morais.

Quem terá direito à subvenção

Poderão receber a subvenção produtores rurais independentes, pessoas físicas ou jurídicas, além de cooperativas e associações em relação à produção de seus cooperados ou associados que sejam produtores independentes.

A estimativa do governo é atender entre 16 mil e 17 mil produtores e contribuir para a manutenção de aproximadamente 60 mil empregos nos canaviais nordestinos.

O Ministério da Agricultura é responsável pela formulação da política e pela disponibilização dos recursos. Já a Conab fará a análise dos documentos e a liberação dos pagamentos.

Os produtores deverão encaminhar a documentação eletrônica necessária à Conab até 30 de outubro de 2026. A companhia ficará responsável por verificar a regularidade dos beneficiários, analisar os documentos que comprovem a comercialização da cana e os prejuízos registrados e, após a validação, realizar os pagamentos por meio de Pix.

Rentabilidade em queda

Além da questão climática, o setor sucroenergético nordestino enfrenta um cenário de menor rentabilidade provocado pela queda dos preços do açúcar e pelo aumento das dificuldades para acessar mercados externos.

Para o ministro André de Paula, a medida representa um apoio aos produtores em um momento de maior pressão sobre a atividade.

“É muito importante ouvir dos próprios produtores a relevância desse gesto em um momento de desafios. O agro é fruto da força e da competência dos nossos produtores. Produzir alimento é estratégico para o Brasil”, afirmou.

O presidente da Conab, Silvio Porto, destacou o papel das associações estaduais no cadastramento dos produtores que poderão receber o benefício.

A cadeia sucroenergética tem peso relevante na economia regional, com impacto sobre a produção agrícola, a indústria, as exportações e a geração de empregos.

Na safra 2025/26, o Brasil produziu 673,2 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, segundo dados da Conab. A produção de açúcar chegou a aproximadamente 44,2 milhões de toneladas, enquanto a produção total de etanol, considerando cana e milho, alcançou cerca de 37,5 bilhões de litros.

As exportações brasileiras de açúcar de cana e seus subprodutos somaram aproximadamente 29,47 milhões de toneladas em 2025, movimentando US$ 12,08 bilhões, de acordo com dados do Agrostat.

No Nordeste, foram exportadas cerca de 1,63 milhão de toneladas de açúcar e subprodutos no mesmo período, com receita aproximada de US$ 719 milhões. Alagoas liderou as exportações regionais, seguida por Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte.

A subvenção de até R$ 270 milhões busca, portanto, preservar a renda dos produtores independentes e evitar que a combinação de clima adverso, preços menores e dificuldades de exportação provoque uma retração ainda maior da atividade canavieira na região.

CNN| Luciana Franco

Compartilhar

Episódio 32: Manutenção de mancais: como evitar falhas e paradas durante a safra?

Episódio 31: Como aumentar a confiabilidade dos acionamentos mecânicos nas usinas?

Enviamos diariamente um boletim informativo com destaques do setor bioenergético 

Artigo Relacionado
Últimas Notícias

Califórnia autoriza venda de gasolina com maior teor de etanol para reduzir preços

O governador da Califórnia, Gavin Newsom, sancionou uma lei que permite a...

Últimas Notícias

Etanol sobe 2,51% no Sudeste na primeira quinzena de setembro

Mesmo com avanço, biocombustível mantém o menor preço médio do país, a...

Últimas Notícias

IG4 deve apresentar proposta firme por créditos da Raízen em até três semanas

Gestora mira assumir controle da companhia após conversão de parte da dívida...

açúcar
DestaqueÚltimas Notícias

Açúcar está entre motores das exportações do agro, mas geopolítica amplia riscos, aponta Rabobank

O açúcar esteve entre os principais motores do crescimento das exportações brasileiras...