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Grupo Itajobi busca reestruturar R$ 3,76 bilhões em dívidas

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Usinas Itajobi, Carolo e Rio Pardo recorrem ao mecanismo de mediação antecedente previsto na Lei de Recuperação Judicial para negociar com credores

O grupo Itajobi, dono das usinas Itajobi, Carolo e Rio Pardo, iniciou um processo de negociação para reestruturar um passivo de R$ 3,76 bilhões antes de recorrer, eventualmente, à recuperação judicial.

A empresa instaurou um pedido de mediação empresarial perante o Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) de São José do Rio Preto (SP). O grupo também ajuizou medida cautelar para dar suporte às negociações com os credores.

O Cejusc é órgão do poder judiciário criado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para estimular acordos por meio de mediação e conciliação, evitando ou reduzindo disputas judiciais.

Portanto, o pedido não significa que o grupo Itajobi renegociou sua dívida e nem que a empresa esteja protegida de uma recuperação judicial. Significa apenas que existe um procedimento formal de mediação em andamento, acompanhado pelo Judiciário, para buscar uma solução negociada.

“Passivo dessa dimensão é exatamente o caso em que a mediação antecedente faz mais diferença, não menos”, afirma William Matheus Martinez, do Martinez & Associados, que assessora o grupo.

Ele complementa: “Uma recuperação judicial dessa magnitude consome anos e destrói valor no caminho. A mediação permite construir a solução com os credores relevantes antes que o processo formal imponha sua própria lógica de desgaste”.

O advogado afirma que o agronegócio passou a usar a recuperação judicial como recursos antes de aprender a utilizar instrumentos judiciais anteriores. “Chega-se tarde [ao Judiciário], com caixa comprometido, e aí só resta o litígio”, afirma.

Problemas conjunturais

Segundo comunicado da empresa, uma conjuntura ruim atingiu usinas de todos os portes: o custo da tonelada de cana alcançou patamar recorde na safra 2025/26, o teor de açúcar total recuperável (ATR) recuou, o açúcar cristal branco voltou a ser negociado abaixo de R$ 100 por saca de 50 kg – nível não visto desde 2020 – e o etanol de milho já responde por cerca de um terço do mercado nacional de etanol combustível.

“Quando os indicadores se deterioram simultaneamente em custo e em receita, o problema deixa de ser de gestão individual”, diz Martinez.

História do grupo

A usina Carolo produziu suas primeiras sacas de açúcar em 1947, em Pontal (SP), no início da cultura canavieira no estado. Já a Itajobi nasceu no fim dos anos 1970, no contexto do Proálcool, e foi oficialmente fundada em 1982, dando origem ao que viria a ser o município de Marapoama.

Hoje, o grupo mantém atividade em quatro municípios paulistas: Marapoama, Pontal, Morro Agudo e Cerqueira César.

“São empresas que não chegaram a essas cidades: em boa medida, foram elas que formaram essas cidades”, afirma Martinez.

Só em 2024, a Carolo recolheu R$ 16,95 milhões em tributos estaduais e federais, e chegou a manter 744 empregos diretos e 450 indiretos. Nas quatro cidades onde o grupo atua, a operação sustenta fornecedores de cana, prestadores de serviço, comércio local e arrecadação municipal.

Atualmente, as unidades Itajobi e Rio Pardo seguem em operação normal. Já a planta Carolo, em Pontal, está em processo de hibernação técnica – medida destinada a preservar a integridade e o valor econômico do ativo para retomada futura.

Operação Carbono Oculto

O grupo Itajobi também informou que algumas de suas unidades foram mencionadas na Operação Carbono Oculto, deflagrada pela Polícia Federal em conjunto com o Ministério Público Federal, em 28 de agosto de 2025.

A investigação apura se empresas e pessoas físicas teriam utilizado propriedades rurais e projetos ambientais para gerar e comercializar créditos de carbono de forma irregular. O caso ainda está na fase de investigação, sem decisão definitiva da Justiça.

No caso específico do grupo Itajobi, a usina Itajobi Açúcar e Álcool foi alvo de mandados de busca e apreensão durante a operação. Segundo as investigações, o controlador da empresa, Mohamad Hussein Mourad, é apontado pelas autoridades como um dos investigados por supostos vínculos com o esquema criminoso.

Em nota, o escritório Martinez & Associados, que representa o grupo, afirmou que as empresas mencionadas “apresentaram defesa técnica e vêm colaborando com as autoridades”. Ele acrescenta que não há condenação nem decisão judicial que impeça o funcionamento das unidades industriais e ressalta que prevalece a presunção de inocência.

CNN| Fernanda Pressinott

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