Home Últimas Notícias Impacto de tarifas dos Estados Unidos deve ser limitado para usinas sucroenergéticas
Últimas Notícias

Impacto de tarifas dos Estados Unidos deve ser limitado para usinas sucroenergéticas

Compartilhar

Governo americano não deve poupar açúcar, etanol, café solúvel, tilápia e uva do Brasil de eventual tarifa adicional de 25%

A proposta dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros não poupou o açúcar e o etanol, mas eventuais impactos tendem a ser limitados para as usinas. Nesta terça-feira, 2, o governo americano anunciou a proposta no âmbito das investigações da seção 301 da Lei de Comércio.

Na visão de analistas e executivos do segmento sucroenergético, o receio é que o Brasil flexibilize sua política comercial e isente ou reduza a tarifa de importação do etanol americano, hoje em 18%, o que aumentaria o excedente de oferta local.

Com uma tarifa adicional de 25%, as usinas do Nordeste e do Norte que hoje usufruem da cota americana de importação de açúcar isenta de tarifa perdem competitividade em relação a outros países que também a utilizam.

Mas, para Mario Lorencatto, presidente da usina Coruripe, empresa que possui uma unidade em Alagoas e é a principal empresa exportadora de açúcar aos EUA, uma nova tarifa não altera a programação da próxima safra.

“Vamos continuar vendendo açúcar. Tem uma perda de rentabilidade, porque era uma venda com um preço melhor por causa da cota preferencial, mas há outros destinos para onde podemos mandar açúcar”, afirmou. Entre as alternativas, ele citou a Europa e a Ásia. As vendas de açúcar aos EUA representam 4% da receita da empresa.

Há a possibilidade, porém, de que as usinas do Nordeste prefiram produzir mais etanol que açúcar se houver taxação, avaliou o analista Maurício Muruci, da Safras & Mercado.

No momento, as usinas locais estão em entressafra, e voltarão a operar entre agosto e setembro, quando os EUA já devem ter tomado uma decisão sobre as tarifas. O escritório comercial americano (USTR, na sigla em inglês) estabeleceu 15 de julho como prazo para a adoção de medidas “corretivas”.

Para Muruci, a tendência é que uma nova tarifa leve a um aumento da oferta de etanol no Nordeste em um primeiro momento, e em outras regiões depois. “Com mais etanol, as usinas do Nordeste podem reduzir as compras do Centro-Oeste, principalmente de Goiás, e vai gerar excedente de oferta no Centro-Oeste”, afirmou.

Outra consequência pode ser a redução das importações de etanol americano. “Com uma sobreoferta, a janela de importação, mesmo aberta, pode não ser praticada”, disse.

Mercado de etanol

Para Lorencatto, da Coruripe, o receio em torno da discussão sobre as tarifas dos EUA é outro. “Abrir o mercado de etanol para os Estados Unidos é um problema”, disse. Atualmente, tanto os EUA como o Brasil vivem um excesso de oferta de etanol, e uma redução da tarifa facilitaria a entrada do produto americano no país, aumentando a pressão sobre os preços internos.

Em nota conjunta, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) e a Bioenergia Brasil defenderam que “eventuais divergências comerciais devem ser tratadas por meio do diálogo e da negociação, preservando uma relação bilateral historicamente relevante para ambos os países e uma agenda comum voltada à promoção dos biocombustíveis e da transição energética”.

As entidades lembraram que “a tarifa aplicada pelo Brasil ao etanol importado segue a Tarifa Externa Comum do Mercosul e não constitui uma medida direcionada especificamente aos Estados Unidos”.

O USTR incluiu os principais produtos agropecuários exportados pelo Brasil, como café, carne e suco de laranja, em uma lista de exceções à nova tarifa. Mas outros itens, além do açúcar e do etanol, ainda podem ser alvo de tarifa. É o caso do café solúvel, da tilápia e da uva.

Globo Rural| Camila Souza Ramos, Raphael Salomão e Eliane Silva
Com colaboração de Luiz Eduardo Minervino

Compartilhar

Episódio 32: Manutenção de mancais: como evitar falhas e paradas durante a safra?

Episódio 31: Como aumentar a confiabilidade dos acionamentos mecânicos nas usinas?

Enviamos diariamente um boletim informativo com destaques do setor bioenergético 

Artigo Relacionado
Últimas NotíciasDestaque

Tereos investe R$ 568 milhões na renovação de canaviais

Recursos integram pacote de R$ 839 milhões destinado à manutenção das operações...

Últimas Notícias

Super El Niño amplia riscos à oferta global de açúcar, aponta Hedgepoint

Seca na Ásia, chuvas no Brasil e revisão para baixo na União...

Últimas Notícias

Argélia abre mercado para DDG brasileiro e amplia espaço para coproduto do etanol de milho

Autorização ocorre em meio ao crescimento das exportações do produto, que já...

Últimas NotíciasDestaque

TST afasta responsabilidade de usina em acidente com empregado de transportadora de cana

Decisão reforça que contratação comercial de transporte não configura, por si só,...