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Março mais seco da década, preocupa produtores de cana de Piracicaba

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Cenário de estiagem comprometeu produção na região, principalmente a de cana-de-açúcar

Dos 31 dias de março, apenas seis tiveram chuvas neste ano em Piracicaba (SP). A cidade teve o mês de março mais seco dos últimos dez anos em 2025, de acordo com medição do posto meteorológico Jesus Marden do Santos, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (LEB-Esalq), o campus da USP na região.

O volume total de chuvas em março deste ano foi de 68,9 milímetros. A média histórica para este período do ano é de 140,9 mm. O cenário de estiagem e altas temperaturas comprometeu as lavouras da região, principalmente a de cana-de-açúcar. A cidade atingiu máximas acima dos 35,5°C no período.

O professor e pesquisador da Esalq afirma que a tendência de registrar temperaturas mais altas a cada novo ano é resultado das mudanças climáticas, impulsionadas pelo uso de combustíveis fósseis.

Neste ano, dos 31 dias do mês, apenas seis tiveram registro de precipitação no posto da Esalq. Além disso, as somas diárias não alcançavam 15 milímetros em sua maioria.

Plantio e colheita comprometidos

O vice-presidente da cooperativa agroindustrial Coplacana em Piracicaba e região, Arnaldo Antônio Bortoletto, afirmou em entrevista ao g1 nesta terça-feira, 1º, que a estiagem em março impactou significativamente a produção de cana-de-açúcar.

“Tradicionalmente, os meses de janeiro a março são importantes para o desenvolvimento da planta, pois a combinação de sol, chuva e clima favorável impulsiona seu crescimento máximo. A escassez de chuvas em março prejudicou tanto o preparo de solo para plantio da cana de 18 meses quanto a colheita da cana madura”, observou.

Bortoletto ressalta que a água é fundamental para que as raízes absorvam os nutrientes do solo de forma eficiente. “Sem umidade adequada, a absorção é dificultada, comprometendo o desenvolvimento da planta”, afirma.

Ele ainda complementa: “Diante desse cenário, a irrigação se torna um investimento estratégico para o agricultor, sendo, inclusive, uma aliada no caso da cana-de-açúcar. Produtores que adotam esse sistema podem mitigar os efeitos da seca e garantir uma produção mais estável e produtiva”.

A produtora rural Camila Rodrigues de Oliveira também relatou os impactos da estiagem nas lavouras da região. Ela produz cana-de-açúcar, banana e também é pecuarista em Tietê (SP), no interior de São Paulo.

“Essa falta de chuva impactou muito o cultivo da banana. Muitos pés caíram por muito peso, consequências da falta de chuva. Houve também atraso da plantação da cana, dificultando o maquinário para gradear e subsolar a terra. A terra está bem seca. Além das lavouras, a seca também castiga os pastos”, descreveu.

Período de chuvas

O período das chuvas para as bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Junciaí (PCJ) geralmente se estende até final de março e o início de abril.

“Apesar da constatação de vazão dos rios em geral abaixo da média, para os principais pontos de monitoramento das bacias PCJ, os registros de vazão dos rios ainda estão acima dos limites de vazão considerados críticos para abastecimento”, aponta o setor técnico.

“Assim sendo, nesse período, a tendência é de recuperação e manutenção dos volumes e níveis de reservatórios, com menor incidência de problemas relacionados ao abastecimento”, observa e conclui: “Mesmo o cenário não sendo tão crítico, obviamente o registro de temperaturas mais elevadas e tempo seco acarretam maior consumo de água pela população, fato que evidencia a necessidade da conscientização para o uso racional da água”.

Mudança climática e combustíveis fósseis

Ao g1, o professor e pesquisador Fábio Marin, do LEB-Esalq, afirma que a tendência de registrar temperaturas mais altas a cada novo ano é resultado das mudanças climáticas, impulsionadas pelo uso de combustíveis fósseis.

“A economia depende, majoritariamente, de carvão e petróleo. O consumo desses combustíveis só aumenta anualmente. Apesar dessas discussões [sobre as mudanças climáticas], o mundo é ‘viciado’ em petróleo”, afirma o pesquisador Fábio Marin.

Ele complementa: “Teríamos que arrumar um jeito de emitir menos CO2 [dióxido de carbono] na atmosfera. Mas isso, hoje em dia, implica em reduzir empregos e diminuir a economia, situações que nem a sociedade e nem políticos topam em encarar”.

G1/Claudia Assencio

 

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