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Milho: produção recorde em 2025 derruba preços e etanol amplia consumo no Brasil

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Ampla oferta global de milho pressionou cotações ao longo do ano, enquanto expansão do etanol de milho elevou a demanda interna; para 2026, produção recua e consumo segue em alta

O ano de 2025 foi determinante para o mercado mundial do milho, especialmente na América do Sul, onde Brasil e Argentina protagonizaram safras robustas, consolidando volumes recordes de produção e ampliando a competitividade global do cereal. O cenário de abundância teve impacto direto sobre os preços internacionais ao longo do ano.

A análise é da StoneX, por meio de sua equipe de Inteligência de Mercado, que avaliou os principais acontecimentos de 2025 e as projeções para o mercado do milho em 2026. No dia 27 de janeiro, a consultoria publicará o Relatório de Perspectivas para Commodities, reunindo informações completas sobre milho, outras commodities agrícolas, energia, metais e moedas emergentes, com acesso gratuito ao material.

No Brasil, a produção de milho alcançou 139,4 milhões de toneladas em 2025, impulsionada por condições climáticas favoráveis no Centro-Oeste. Na Argentina, apesar de uma leve retração da área plantada motivada por preocupações com pragas, os níveis de produtividade se mantiveram elevados, contribuindo para o quadro de ampla oferta regional.

Consumo doméstico sustenta demanda no Brasil

A expressiva produção global resultou em uma sobreoferta de milho, pressionando as cotações internacionais ao longo de 2025. No Brasil, porém, o consumo doméstico manteve trajetória de crescimento, sustentado principalmente pelo avanço do etanol de milho. O setor registrou expansão relevante da capacidade instalada e ampliou sua presença para novas regiões, como Maranhão, Tocantins, Paraná e Piauí.

Em 2025, o consumo nacional de milho atingiu cerca de 91 milhões de toneladas, volume 6,5 milhões de toneladas superior ao de 2024, com destaque tanto para a alimentação animal quanto para o segmento de biocombustíveis, que segue ganhando espaço na matriz energética.

Outro ponto de destaque foi o avanço do DDG, coproduto da produção de etanol de milho. O aumento da oferta estimulou esforços para a abertura de novos mercados, incluindo a assinatura de um acordo com a China para exportação, ainda sem embarques efetivados. Paralelamente, o sorgo passou a ocupar maior espaço como alternativa para a segunda safra, favorecido pela abertura do mercado chinês, pela expansão das usinas de etanol e por sua maior adaptação a condições climáticas mais secas.

Exportações e cenário internacional

A elevada produção brasileira influenciou o desempenho das exportações. Embora os embarques tenham crescido em relação a 2024, o volume exportado ficou 33% abaixo do registrado em 2023, reflexo do fortalecimento do consumo interno e da valorização do basis, fatores que reduziram a competitividade do milho brasileiro no mercado internacional.

Nos Estados Unidos, a área plantada alcançou 40 milhões de hectares, resultando em uma produção de 432,3 milhões de toneladas, mesmo diante de desafios climáticos e fitossanitários. O país registrou recorde de exportações, beneficiado pelo dólar enfraquecido e pela demanda consistente de destinos como México, Vietnã e Espanha.

O setor norte-americano de etanol também manteve forte demanda pelo milho, embora restrições regulatórias tenham limitado uma expansão mais acelerada. No campo sanitário, o fechamento da fronteira dos Estados Unidos para a importação de gado mexicano impactou as dinâmicas do mercado exportador de milho.

Na China, o crescimento do consumo ocorreu em ritmo mais moderado, em um contexto de aumento da produção doméstica e redução das importações. Já a União Europeia e a Ucrânia, após safras abaixo do esperado, buscam recuperação produtiva, enquanto as tensões geopolíticas na região do Mar Negro seguem como fator de risco para o mercado.

Expectativas para 2026

Para 2026, as projeções indicam continuidade da expansão do consumo de milho no Brasil, estimado em 97 milhões de toneladas, ao mesmo tempo em que a produção deve recuar para 134,3 milhões de toneladas, abaixo do recorde registrado em 2025. O etanol de milho permanece como o principal motor do crescimento da demanda doméstica, enquanto o equilíbrio entre oferta e consumo segue no radar, podendo limitar volumes excedentes para exportação.

Na Argentina, a expectativa é de recuperação da área plantada e do volume exportado, favorecida pela redução das tarifas de exportação. Nos Estados Unidos, a leve redução projetada da área cultivada deve manter os estoques em níveis confortáveis, restringindo movimentos mais consistentes de alta nos preços em Chicago.

No cenário global, a relação estoque/uso do milho deve atingir o menor nível dos últimos anos, segundo projeções do USDA, sinalizando um mercado mais ajustado. A combinação entre queda na produção de grandes players e crescimento do consumo em países como Brasil, Índia e Estados Unidos pode contrabalançar parte da oferta, enquanto fatores como sobreoferta de outros grãos, incertezas macroeconômicas e tensões políticas — especialmente entre Rússia e Ucrânia — tendem a elevar a volatilidade do mercado.

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