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Açúcar: oferta global elevada mantém pressão sobre os preços

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Avanço da produção de açúcar no Centro-Sul do Brasil e na Índia reforça cenário de abundância e limita recuperação das cotações internacionais

Os preços internacionais do açúcar seguem pressionados diante de um cenário de oferta global abundante, mesmo com movimentos pontuais de sustentação em Nova York. Na segunda-feira, o contrato do açúcar bruto encerrou em alta, influenciado pela desvalorização do dólar, enquanto o açúcar branco negociado em Londres fechou em queda. O pano de fundo, no entanto, continua sendo o avanço da produção nos principais países produtores.

O contrato de açúcar bruto com vencimento em março fechou em alta de 0,06 centavo de dólar, ou 0,4%, para 14,79 centavos de dólar por libra-peso. Por sua vez, o contrato mais ativo de açúcar branco caiu 1,1%, para US$ 414,20 por tonelada.

No Brasil, a UNICA informou na última quarta-feira que a produção acumulada de açúcar no Centro-Sul na safra 2025/26, até dezembro, alcançou 40,222 milhões de toneladas, alta de 0,9% em relação ao mesmo período do ciclo anterior. O direcionamento maior da cana para o açúcar também chama atenção: a participação da matéria-prima destinada ao adoçante subiu para 50,82%, frente a 48,16% na safra 2024/25.

Na Índia, o avanço é ainda mais expressivo. A India Sugar Mill Association (ISMA) reportou que a produção de açúcar do país entre 1º de outubro e 15 de janeiro da safra 2025/26 somou 15,9 milhões de toneladas, crescimento de 22% na comparação anual. Em novembro, a entidade revisou para cima sua estimativa de produção total, elevando a projeção de 30 milhões para 31 milhões de toneladas, o que representa um avanço de 18,8% em relação à safra anterior.

Ao mesmo tempo, a ISMA reduziu a estimativa de açúcar destinado à produção de etanol no país para 3,4 milhões de toneladas, ante uma projeção anterior de 5 milhões de toneladas, divulgada em julho. Esse ajuste amplia o volume potencialmente disponível para exportação, reforçando a pressão sobre o mercado internacional. A Índia é atualmente o segundo maior produtor mundial de açúcar.

O mercado também acompanha de perto os sinais vindos do governo indiano. Os preços do açúcar vêm sendo pressionados pelas expectativas de aumento das exportações indianas, após declarações do secretário de Alimentos do país indicando que o governo pode autorizar embarques adicionais para reduzir o excedente interno. Em novembro, o Ministério da Alimentação da Índia já havia anunciado a liberação de 1,5 milhão de toneladas para exportação na safra 2025/26.

A Índia adotou um sistema de cotas para exportações de açúcar a partir da safra 2022/23, após chuvas tardias reduzirem a produção e limitarem a oferta doméstica. Agora, com a recuperação produtiva e a menor destinação para etanol, o país volta ao centro das atenções do mercado global, em um momento em que a combinação entre Brasil e Índia reforça o viés de oferta elevada e mantém as cotações sob pressão.

Com informações da Barchart

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