Produção de etanol deve alcançar 390 milhões de litros, alta de 9,2%, enquanto fabricação de açúcar é estimada em 910 mil toneladas
A safra 2026/27 de cana-de-açúcar em Pernambuco deve alcançar 13 milhões de toneladas, crescimento entre 3% e 4% na comparação com o ciclo anterior, quando foram processadas 12,462 milhões de toneladas. A estimativa é do presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Pernambuco (Sindaçúcar-PE), Renato Cunha, que também preside a Associação de Produtores de Açúcar, Etanol e Bioenergia (NovaBio).
A moagem começou neste mês em quatro das 13 usinas em operação no Estado. A expectativa é de que o avanço da oferta de matéria-prima resulte também em aumento da produção de açúcar e etanol.
Para o biocombustível, a projeção é de 390 milhões de litros, crescimento de 9,2% frente aos 357 milhões de litros produzidos na safra 2025/26. Já a produção de açúcar deve passar de 877 mil para 910 mil toneladas, avanço de 3,8%.
O crescimento mais acentuado da produção de etanol está relacionado, segundo Cunha, ao cenário de maior instabilidade dos preços do açúcar no mercado internacional e ao aumento da demanda pelo biocombustível.
E32 estimula produção de etanol
Entre os fatores que favorecem o etanol está a elevação para 32% do percentual de etanol anidro misturado à gasolina. Segundo projeções da NovaBio, o E32 tem potencial para acrescentar entre 900 milhões e 1,05 bilhão de litros à demanda nacional pelo biocombustível.
Para Cunha, porém, o cenário de mercado pode mudar ao longo da safra. A flexibilidade das unidades permite alterar o mix entre açúcar e etanol durante a moagem de acordo com as condições comerciais de cada produto.
Uma das variáveis acompanhadas pelo setor é a Índia. Segundo Cunha, uma eventual demanda adicional do país poderia favorecer as cotações do açúcar, embora ainda seja prematuro avaliar seus efeitos sobre o direcionamento da produção pernambucana.
Chuvas favorecem início da safra
Outro fator positivo para a safra 2026/27 foi a maior regularidade das chuvas em Pernambuco. A moagem começou inicialmente em quatro unidades localizadas na Mata Norte, região onde as precipitações normalmente diminuem mais cedo.
A colheita pernambucana deve se estender até fevereiro ou março. Aproximadamente 65 mil pessoas trabalham na safra de cana-de-açúcar no Estado, com reflexos também sobre atividades como comércio, transporte e movimentação portuária, principalmente na Zona da Mata.
O setor acompanha ainda a possibilidade de ocorrência do El Niño. De acordo com Cunha, eventuais efeitos do fenômeno climático não devem ter impacto significativo sobre a cana que está sendo colhida atualmente, mas podem afetar o desenvolvimento das lavouras destinadas à safra 2027/28.
Isso ocorre porque parte da cana cortada no atual ciclo iniciará um novo período de desenvolvimento e dependerá das condições climáticas dos próximos meses. Nos últimos anos, as usinas também ampliaram a participação das áreas irrigadas, principalmente na Mata Norte, reduzindo parte da exposição das lavouras aos períodos de menor precipitação.


