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Produção maior no Brasil derruba preços do açúcar

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Os preços do açúcar caíram novamente nesta quinta-feira (30), estendendo a sequência de três semanas de desvalorização.  Os futuros do açúcar bruto na bolsa ICE, usados como referência para a precificação do açúcar físico em todo o mundo, caíram 0,14 centavo de dólar, ou 1%, a 14,28 centavos de dólar por libra-peso, tendo atingido anteriormente seu nível mais baixo desde outubro de 2020, a 14,07 centavos de dólar por libra-peso.

Os contratos futuros do açúcar branco caíram 0,9%, para US$ 414,00 a tonelada, depois de atingirem o valor mais baixo desde dezembro de 2020, a US$ 410 a tonelada.

O aumento da produção brasileira tem pressionado as cotações. Segundo dados divulgados nesta quinta-feira pela Unica, a produção de açúcar do Centro-Sul do Brasil na primeira quinzena de outubro cresceu 1,3% em relação ao mesmo período do ano anterior, totalizando 2,484 milhões de toneladas. Além disso, a proporção de cana destinada à fabricação de açúcar subiu para 48,24%, ante 47,33% no mesmo intervalo de 2024.

No acumulado da safra 2025/26 até a metade de outubro, a produção do Centro-Sul alcançou 36,016 milhões de toneladas, alta de 0,9% em relação ao mesmo período da safra anterior.

Nas últimas semanas, os preços do açúcar vêm sendo pressionados principalmente pelo aumento da produção no Brasil e pelas projeções de superávit global. Na terça-feira passada, a Datagro estimou que a produção de açúcar do Centro-Sul na safra 2026/27 deve crescer 3,9% em relação ao ciclo anterior, atingindo um recorde de 44 milhões de toneladas.

Em relatórios recentes, o BMI Group projetou um excedente global de açúcar de 10,5 milhões de toneladas para a safra 2025/26, enquanto a Covrig Analytics estimou um superávit mundial de 4,1 milhões de toneladas.

O analista independente de açúcar Michael McDougall observou que as previsões climáticas nas principais regiões produtoras de açúcar ainda são benignas, aumentando as perspectivas de safra, enquanto os preços do petróleo permanecem sob pressão em meio à falta de detalhes no acordo comercial entre EUA e China.

Ele acrescentou, no entanto, que os preços do açúcar continuam de dois a três centavos abaixo da paridade com o valor do etanol no Brasil, o que significa que o sinal geral para as usinas de cana do Brasil é produzir menos açúcar e mais etanol.

“A tendência é de queda e alguns estão falando agora de 10 a 13 centavos, mas quando muitos olham mais para baixo, esse é um sinal preliminar de que não veremos isso”, disse McDougall.

Com informações da Reuters

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