Rota logística
A aposta logística da G2X coincide com o avanço, depois de muitos anos de espera, do projeto para a construção de uma ponte de 950 metros sobre o Rio Uruguai, ligando Porto Xavier a San Javier, na Argentina. Na última semana, equipes do DNIT e da empresa especializada contratada para os levantamentos do licenciamento ambiental trabalhavam entre os dois lados da fronteira. A expectativa é de que ainda neste ano seja realizada uma audiência pública na comunidade para a apresentação do projeto e, até março de 2027, a licença ambiental esteja concedida para o início das obras, estimadas em um investimento de mais de R$ 200 milhões, com recursos do PAC.
Atualmente, a rota comercial dos caminhões é feita por balsas, e representa um importante canal de produtos para a indústria gaúcha. Porto Xavier é o ponto de entrada, por exemplo, de quase 50% das importações de milho feitas pelas indústrias de processamento de suínos no polo de Santa Rosa. Diariamente, são 40 caminhões cruzando o rio embarcados. Agora, o mesmo canal deve ser usado também para exportações em maior volume.
Estímulo no campo
A estimativa é de que a usina gere 200 empregos diretos, mas o cálculo feito pela administração municipal, a partir do incentivo que a economia local ganhará com a retomada da usina, vai muito além. São estimados 2 mil novos postos de trabalho em toda a cadeia produtiva.
Conforme o IBGE, em 2025, Porto Xavier plantou 300 hectares com cana de açúcar, com uma colheita de 16,5 mil toneladas de cana. É o quarto maior produtor do Rio Grande do Sul. De acordo com o prefeito, para dar conta da demanda inicial da usina, serão precisos 2,5 mil hectares. Provavelmente haverá compra de matéria-prima de outras regiões.
“Nosso município é feito de pequenas propriedades e aquele produtor que plantava cana precisou de alternativas quando encerrou a usina, em virtude da concorrência do setor em São Paulo em 2023. Desde então, desenvolvemos um programa muito bem-sucedido de incentivo aos produtores. Hoje, a cana é uma alternativa rentável aos nossos produtores, e tende, agora, a ser uma forma de investimento para eles aumentarem a produção. Vão fornecer para a usina, que usará também o bagaço para movimentar as máquinas, e para a produção de melado”, comenta Gilberto Menin.
A partir da desativação da usina, o município passou a incentivar a produção para agroindústrias de melado, por exemplo. Para cada hectare, o produtor consegue extrair 5 mil quilos de melado, bastante valorizado no mercado. A produção é resultado direto de um programa de incentivo local, no qual produtores, apoiados pela Emater, desenvolvem projetos para irrigação, melhoramentos genéticos ou agroindústrias e, na hora de buscarem financiamento nos bancos, quem custeia os juros do financiamento é o município.
“É o nosso programa Juro Zero, que é único no Brasil. Funciona como uma parceria. A Emater desenvolve os projetos com os produtores, que passam por uma avaliação técnica da Prefeitura. Se aprovados, o município se apresenta ao banco como responsável pelo custeio dos juros do financiamento”, comenta o prefeito.
O projeto já viabilizou pelo menos R$ 7,5 milhões em financiamentos rurais no município. Nesta conta, Menin considera agora ainda o estímulo ao plantio de eucaliptos na região, para abastecer as caldeiras, além da possibilidade de avanço no plantio do milho, que tem grande potencial a partir da irrigação nessa região do Estado, e do trigo. O município distribuirá, por exemplo, mudas de eucaliptos para produtores locais.
Jornal Do Comércio| Eduardo Torres



