Levantamento permite comparar o dimensionamento das equipes das usinas considerando diferenças operacionais; associadas à UDOP terão 50% de desconto para participar
Em meio às discussões sobre a escala de trabalho 6×1 e à pressão sobre os custos operacionais, o dimensionamento das equipes ganha relevância para a competitividade do setor sucroenergético. Nesse contexto, a RPA Consultoria e a UDOP firmaram uma parceria para a realização da Pesquisa de Headcount de Usinas da safra 2026/27, que permitirá comparar indicadores de mão de obra e identificar oportunidades de melhoria na gestão de pessoas e custos. O levantamento considera as diferenças entre os modelos operacionais, os níveis de terceirização e as atividades realizadas por cada unidade. As usinas associadas à UDOP terão desconto de 50% para participar.
A iniciativa dá continuidade ao levantamento realizado pela RPA Consultoria nas safras 2024/25 e 2025/26 e busca ampliar a participação das usinas, oferecendo informações para apoiar gestores de Recursos Humanos e diretores na avaliação de suas estruturas operacionais.
Segundo Hugo Cagno Filho, presidente da UDOP, a parceria amplia o conjunto de ferramentas disponibilizadas pela entidade às associadas. Ele lembra que a UDOP já realiza há vários anos a Pesquisa de Remuneração, que conta com a participação de mais de 80 usinas e oferece informações para a gestão de pessoas. A Pesquisa de Headcount chega para complementar esse trabalho, com indicadores voltados ao dimensionamento das equipes.
“Ter esses dados em mãos ajuda as usinas a identificar tendências, avaliar sua posição em relação ao mercado, reconhecer oportunidades de melhoria e embasar decisões estratégicas com mais segurança”, afirma Cagno.
Ricardo Pinto, CEO da RPA Consultoria, destaca que o dimensionamento adequado das equipes tem impacto direto sobre a competitividade das unidades sucroenergéticas, que combinam elevada necessidade de investimentos com operações intensivas em mão de obra. Como as usinas comercializam commodities, como açúcar, etanol e energia, a capacidade de controlar custos assume papel relevante na eficiência econômica das operações.
“E, no final, uma usina vende commodities (açúcar, etanol, energia) que não recebem sobrepreço por possuir maior qualidade ou algum diferencial qualquer. Aliás, o que se quer são produtos dentro de padrões específicos. Logo, estar mais inchado que o restante das usinas é um grave problema, sem nenhuma justificativa econômica, e uma desvantagem comparativa e competitiva”, afirma Pinto.
Na avaliação de Cagno, o cenário de competitividade exige que as usinas busquem referências confiáveis para analisar seus processos e tomar decisões. Ele destaca que, no caso da gestão de pessoas, o acesso a indicadores comparativos permite avaliar a estrutura de colaboradores, considerando o equilíbrio entre produtividade, custos e valorização profissional.
“Conhecer os indicadores do setor permite compreender melhor a estrutura de pessoal, comparar realidades e buscar o equilíbrio entre produtividade e custos, e ainda melhorar a valorização dos profissionais”, ressalta Cagno.
O diferencial da pesquisa está na metodologia desenvolvida pela RPA Consultoria, que considera características específicas de cada unidade antes de comparar os indicadores de pessoal. Isso porque usinas com volumes semelhantes de moagem podem apresentar necessidades distintas de mão de obra, dependendo da proporção de cana própria e de fornecedores, da estrutura agrícola e industrial e dos serviços executados por empresas terceirizadas.
Uma usina que produz integralmente a cana que processa, por exemplo, tende a necessitar de uma estrutura agrícola diferente daquela que adquire grande parte da matéria-prima de fornecedores. Da mesma forma, unidades que terceirizam atividades de colheita, transporte, manutenção ou operações industriais podem apresentar quadros próprios menores, sem que isso represente necessariamente maior eficiência.
Por essa razão, a comparação direta do número de colaboradores pode levar a interpretações equivocadas. A metodologia da RPA ajusta esses indicadores para permitir uma análise mais consistente do dimensionamento de pessoal entre usinas com diferentes características.
Pesquisa identifica diferentes níveis de eficiência entre as usinas
As duas edições anteriores da Pesquisa de Headcount revelaram que as usinas participantes se encontram em diferentes estágios de gestão de seus quadros de colaboradores. Segundo Pinto, enquanto algumas unidades ainda precisam buscar indicadores próximos à média do mercado, outras já alcançaram esse patamar e devem estabelecer referências mais exigentes.
“Há usinas para as quais estar na média do mercado já não é mais um desafio e devem focar em estar entre as 20% mais enxutas ou até entre as 10% mais enxutas”, destaca Pinto.
Outro resultado observado é que o dimensionamento das equipes não apresenta necessariamente o mesmo nível de eficiência em todas as áreas de uma usina. Uma unidade pode ter uma estrutura mais enxuta no setor Industrial, por exemplo, e apresentar oportunidades de melhoria nas áreas Agrícola, Automotiva ou Administrativa.
De acordo com Pinto, essas diferenças mostram que a análise do quadro total de colaboradores, isoladamente, não é suficiente para identificar todas as possibilidades de otimização. É necessário avaliar cada setor de acordo com suas características e necessidades operacionais.
Como funciona a Pesquisa de Headcount
O levantamento avalia a estrutura de colaboradores de quatro grandes áreas das unidades sucroenergéticas: Agrícola, Manutenção Automotiva, Indústria e Administração. Para cada uma delas, são considerados os fatores operacionais que influenciam a necessidade de mão de obra.
No setor Agrícola, a metodologia leva em conta o volume de cana própria produzida, inclusive aquele destinado a outras unidades, as quantidades colhidas e transportadas e os níveis de terceirização das operações de preparo de solo, plantio e tratos culturais. Na Manutenção Automotiva, além dos volumes de produção, colheita e transporte, são considerados os serviços terceirizados de oficina.
Já nos setores Industrial e Administrativo, os ajustes levam em consideração a quantidade de cana processada e os diferentes níveis de terceirização das atividades.
A partir dessas informações, são calculados indicadores ajustados de toneladas de cana por colaborador, permitindo que cada usina compare sua estrutura com a média das participantes e com os grupos que apresentam os quadros de pessoal mais enxutos.
A pesquisa também permite avaliar a distribuição dos funcionários entre as diferentes áreas, a participação de colaboradores operacionais, de suporte e de comando, além das variações do quadro de pessoal entre os períodos de safra e entressafra.
Nas edições anteriores, os resultados demonstraram a importância dos ajustes metodológicos. Em um dos relatórios utilizados como exemplo pela RPA Consultoria, a comparação inicial, sem considerar as diferenças operacionais, indicava um quadro de colaboradores 24,5% superior à média do mercado. Após a aplicação dos ajustes, essa diferença caiu para 4,5%.
O exemplo demonstra como fatores relacionados ao modelo de operação podem alterar a interpretação dos indicadores e reforça a importância de utilizar critérios comparáveis na avaliação das estruturas de pessoal.
Com os dados consolidados, cada usina participante recebe um relatório individual que permite identificar como seu quadro de colaboradores se posiciona em relação às referências do mercado, tanto no indicador geral quanto em cada uma das áreas analisadas.
Para Pinto, o principal benefício está na utilização dos resultados como instrumento de gestão. Segundo ele, os indicadores devem servir de ponto de partida para identificar oportunidades de melhoria, em vez de apenas justificar diferenças em relação às referências do setor.
O executivo recomenda que os gestores analisem os relatórios com profundidade, buscando compreender os fatores que explicam os resultados e as possibilidades de tornar suas operações mais eficientes, competitivas e resilientes a períodos de crise.
A proposta não é estabelecer um número único de colaboradores ideal para todas as usinas, mas apresentar parâmetros que permitam avaliar oportunidades de melhoria de acordo com a realidade de cada unidade, apoiando decisões relacionadas ao dimensionamento das equipes, à distribuição da mão de obra e à gestão dos custos operacionais.
Associadas à UDOP terão desconto de 50% para participar
A parceria entre a RPA Consultoria e a UDOP busca ampliar o alcance da Pesquisa de Headcount na safra 2026/27, aproveitando a atuação da entidade junto às unidades sucroenergéticas e a experiência da consultoria na análise de indicadores operacionais do setor.
Como condição especial, as usinas associadas à UDOP poderão participar mediante investimento de R$ 3.500 por unidade, valor correspondente à metade do preço regular de R$ 7 mil, aplicado às não associadas.
Cagno afirma que a expectativa da UDOP é ampliar a adesão das associadas, uma vez que a participação de um número maior de unidades contribui para aumentar a consistência dos indicadores e a representatividade das diferentes realidades operacionais do setor.
“Quanto maior e mais representativa for a participação, mais consistentes serão os dados e os indicadores obtidos, ampliando a capacidade de comparação entre diferentes realidades”, destaca Cagno.
As inscrições estarão abertas até 4 de dezembro de 2026. Após a adesão, a RPA Consultoria encaminhará os questionários até o dia 8 de dezembro, para que as usinas informem os dados necessários à avaliação.
O prazo para preenchimento e devolução dos formulários será 31 de dezembro de 2026. Na sequência, a RPA será responsável pela validação das informações, consolidação dos indicadores e elaboração dos relatórios individuais, cuja entrega está prevista para 29 de janeiro de 2027.
Com os resultados, as unidades participantes poderão avaliar seu dimensionamento de pessoal em relação às referências do setor, considerando as particularidades de suas operações agrícolas, industriais e administrativas.
A Pesquisa de Headcount é direcionada a gestores de Recursos Humanos, diretores e profissionais envolvidos no planejamento e no acompanhamento dos custos operacionais das usinas. As unidades interessadas em participar da edição 2026/27 poderão obter informações sobre a pesquisa e as condições de adesão diretamente com a RPA Consultoria.
Para Pinto, mais do que conhecer a posição de cada usina em relação às referências do mercado, o importante é transformar os resultados da pesquisa em oportunidades concretas de melhoria. “Basta se aprofundar com seriedade e profissionalismo no relatório que receberão, buscando não focar na busca de desculpas pelos maus resultados, mas sim nas oportunidades que os indicadores apontam para deixar sua usina mais eficiente, mais competitiva e mais resiliente a crises”, afirma.



