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São Martinho tem queda na moagem e redução nas margens financeiras na safra 2025/26

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A São Martinho encerrou o primeiro semestre da safra 2025/26 com retração em seus principais indicadores operacionais e financeiros, reflexo do clima mais seco entre janeiro e maio deste ano, que reduziu a produtividade dos canaviais e o teor de açúcar da matéria-prima. No acumulado até setembro, a companhia processou 17,6 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, volume 1,8% inferior ao mesmo período da safra passada, resultado da queda de 7,4% na produtividade agrícola. O Açúcar Total Recuperável (ATR) produzido totalizou 2,62 milhões de toneladas, queda de 4%, sendo 2,42 milhões provenientes da moagem de cana (-4,8%), com o ATR médio recuando 3%.

A produção de açúcar somou 1,2 milhão de toneladas, alta de 6,8% em relação ao mesmo período do ciclo anterior, impulsionada por um mix mais voltado ao adoçante, que representou 49% do total de açúcares recuperáveis. Já a produção de etanol de cana caiu 11,4%, totalizando 817,3 mil metros cúbicos, influenciada pela menor disponibilidade de matéria-prima e pela queda no ATR médio. O etanol de milho, por sua vez, manteve bom desempenho e registrou alta de 6,4%, alcançando 116,7 mil metros cúbicos, com incremento também na produção de coprodutos: 75,3 mil toneladas de DDGS (+6,1%) e 4,1 mil toneladas de óleo de milho (+3,4%).

A operação de etanol de milho respondeu por R$ 146,2 milhões de EBITDA e R$ 133,7 milhões de EBIT no semestre, sustentada pela queda no custo da matéria-prima e pela valorização dos coprodutos, beneficiados pela isenção de PIS/Cofins a partir de agosto. A São Martinho processou aproximadamente 278,5 mil toneladas de milho no período, e até o final de setembro já havia adquirido 383,4 mil toneladas ao preço médio de R$ 52,2 por saca para o restante da safra.

A cogeração de energia elétrica manteve desempenho positivo, com 116,8 mil MWh comercializados no trimestre, crescimento de 30% em volume e de quase 6% no preço médio em relação ao ano anterior. A receita com energia somou R$ 116,8 milhões, avanço de 37,9% sobre o mesmo período de 2024, resultado da operação plena da UTE Fase II na unidade São Martinho, o que reforçou o papel da energia como importante fonte de diversificação de receita.

Resultados pressionados e revisão de investimentos

A receita líquida consolidada da companhia somou R$ 1,74 bilhão no segundo trimestre da safra, queda de 11,3% frente ao mesmo período do ano anterior, pressionada pelos menores preços e volumes comercializados de açúcar e etanol. O desempenho foi parcialmente compensado pela expansão das receitas de cogeração de energia, que cresceram 37,9%, e também pela alta nas receitas de levedura, com avanço de 77,8%, e de DDGS, com aumento de 16,1%. No acumulado do semestre, a receita líquida ficou estável em R$ 3,6 bilhões, sustentada por preços e volumes mais altos de etanol e pela expansão das receitas de energia elétrica e coprodutos.

O açúcar respondeu por R$ 923,4 milhões no trimestre, recuo de 6,5% em relação ao mesmo período do ano anterior, reflexo da redução de 5,4% no volume e de 1,2% no preço médio. A receita com etanol totalizou R$ 554,9 milhões, queda de 22,6%, com redução de 21,7% no volume e de 1,1% no preço médio. Em contrapartida, a comercialização de energia elétrica somou R$ 116,8 milhões, um crescimento expressivo de 37,9% na comparação anual, impulsionada por maior volume e preço médio. Já a levedura totalizou R$ 33 milhões, beneficiada pela normalização da produção após os incêndios registrados em 2024.

O EBITDA ajustado atingiu R$ 816,9 milhões no trimestre, queda de 13,4%, com margem de 47%. No acumulado do semestre, o indicador somou R$ 1,62 bilhão, avanço de 0,4% em relação ao mesmo período anterior, reflexo do melhor desempenho do etanol, mas ainda pressionado pela menor rentabilidade do açúcar. O lucro líquido foi de R$ 176,4 milhões no trimestre, recuo de 5,9%, e de R$ 239,2 milhões no semestre, queda de 18,6% frente ao mesmo intervalo do ciclo anterior. Segundo o relatório financeiro, o resultado reflete a combinação de margens mais apertadas e efeitos não caixa, como a reavaliação de contratos de arrendamento e parcerias, além da marcação a mercado de derivativos de dívida em função das variações do CDI.

O resultado financeiro líquido registrou despesa de R$ 208,6 milhões no segundo trimestre, aumento de 21,5% em relação ao mesmo período de 2024, enquanto a dívida líquida atingiu R$ 5,4 bilhões em setembro, alta de 9,7% frente a março, impulsionada por novas captações e desembolsos do BNDES voltados a projetos de investimento. O EBITDA consolidado do semestre, de R$ 1,62 bilhão, manteve a margem ajustada em 45,1%, levemente acima do registrado no mesmo período da safra anterior.

Em relação aos investimentos, o Capex total estimado para a safra 2025/26 foi revisado para R$ 2,8 bilhões, uma redução de 5,3% em comparação ao guidance anterior. A companhia explicou que a revisão decorre de ajustes no cronograma e de iniciativas de otimização e redução de custos agrícolas e industriais. Até setembro, a São Martinho havia desembolsado R$ 738 milhões em manutenção, valor 3% superior ao mesmo período do ano anterior, influenciado pelo aumento de custos com tratos culturais, fertilizantes e manutenção industrial. Em melhoria operacional, os investimentos somaram R$ 62,3 milhões, queda de 33,5%, e em expansão, R$ 180,7 milhões, avanço de 9,3%, impulsionado pela conclusão de projetos e pela implementação do plano de irrigação, do projeto de biometano na unidade Santa Cruz e da segunda fase do etanol de milho.

O Capex de manutenção previsto para o ciclo é de R$ 1,9 bilhão, redução de 4% em relação ao guidance anterior, enquanto o Capex de melhoria operacional foi estimado em R$ 104,9 milhões, queda de 16,1%, e o de modernização e expansão em R$ 821 milhões, retração de 6,8%. A São Martinho ressaltou que as revisões reforçam a estratégia de otimização do portfólio e eficiência operacional em um cenário de margens mais apertadas e produtividade reduzida no setor sucroenergético.

Natália Cherubin para RPAnews

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Episódio 22: Como as tecnologias e a IA impactam as operações agrícolas?

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