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São Paulo irá investir R$ 30 milhões para capturar e armazenar carbono do etanol de cana

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Em sua primeira etapa, projeto de armazenar carbono do etanol conta com a parceria de companhias como a Petrobras e o grupo São Martinho

O estado de São Paulo vai construir a primeira usina brasileira para captura e armazenamento de carbono emitido pela produção de etanol de cana-de-açúcar. O anúncio foi feito pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) durante evento realizado nesta quarta-feira, 10, em comemoração à Semana do Meio Ambiente.

Na ocasião, foi assinado o termo de criação do Centro de Tecnologias para Captura e Armazenamento de Carbono Biogênico (CTCCSBio). Trata-se de um novo Centro de Ciência para o Desenvolvimento (CCD), financiado pela Fapesp.

O CTCCSBio será sediado na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) e implementado em parceria com a secretaria de estado do meio ambiente (Semil), a Petrobras, o grupo São Martinho e o escritório Rolim Goulart Cardoso Advogados. A missão da equipe será estudar a viabilidade e planejar a implantação da nova usina.

A tecnologia conhecida como BECCS (sigla em inglês para Bioenergia com Captura e Armazenamento de Carbono) permite, em tese, que o etanol venha a se tornar um combustível “carbono negativo”, ou seja, que mais retira do que adiciona carbono da atmosfera. Isso porque o processo de captura do CO2 liberado na produção do etanol e seu armazenamento no subsolo reverteria o balanço de emissões de gases do efeito estufa.

“A produção de etanol a partir da cana-de-açúcar já é considerada uma alternativa mais sustentável em relação aos combustíveis fósseis por emitir menos gás carbônico. Portanto, ao capturar esse gás e injetá-lo no subsolo, estamos removendo ativamente o carbono que já circulava no ciclo de vida da planta”, relata o professor da Poli-USP e diretor do CTCCSBio, Bruno Souza Carmo.

Ele complementa: “Atualmente, o etanol ainda tem uma pegada de carbono positiva, mas, com a remoção, pode-se chegar a uma pegada de carbono negativa. Algo extremamente interessante para o setor sucroenergético e para o país”.

Segundo Carmo, a tecnologia para fazer essa captura e armazenamento de carbono já existe e, portanto, o maior desafio do novo centro será torná-la viável no contexto paulista e do setor sucroenergético. “O armazenamento de carbono não gera receita direta. Vamos estudar mecanismos de monetização, como mercado de carbono, compensações ambientais e políticas de incentivo”, afirma.

O centro terá atuação multidisciplinar, reunindo especialistas em engenharia, geologia, economia, direito e psicologia. Entre as principais frentes estão a avaliação da viabilidade econômica e a análise do arcabouço regulatório para viabilizar créditos de carbono.

Nessa etapa, os pesquisadores também vão identificar, por meio de estudos geológicos, os locais mais adequados para instalar a usina e armazenar o CO2 capturado. Segundo Carmo, a planta precisa estar próxima de reservatórios salinos profundos, formações a mais de mil metros de profundidade e compostas por rochas porosas preenchidas por água altamente salina, ou seja, sem utilidade para o abastecimento humano.

O projeto terá duração de cinco anos, investimento total estimado de R$ 30 milhões e será implementado em duas fases.

Na primeira, com duração de dois anos, a equipe vai prospectar locais para a instalação da usina e analisar o potencial de São Paulo para o uso da tecnologia. Para isso, serão considerados fatores como geologia, proximidade com usinas, infraestrutura, custos, impacto ambiental e percepção social. Na segunda fase, o projeto deve avançar para a implantação e funcionamento da nova usina.

Atualmente, o Brasil possui apenas uma planta de captura e armazenamento de carbono no estado do Mato Grosso, que é voltada para o etanol de milho. A usina paulista será a primeira dedicada ao etanol de cana.

No lançamento do novo centro, Tarcísio de Freitas destacou a relevância da Fapesp no avanço científico do estado. “Foi criado um instrumento poderoso, que fomenta a pesquisa, o desenvolvimento, a ciência. É um instrumento que funciona, que vai continuar funcionando”, disse o governador. “São Paulo é um estado que cresceu em produtividade, cresceu no agro, mas também cresceu em sustentabilidade”, completou.

A secretária da Semil, Natália Resende, afirmou em comunicado divulgado pela pasta que o projeto está alinhado ao Plano de Ação Climática 2050 e ao Plano Estadual de Energia. “O BECCS é essencial para descarbonizar o setor agroindustrial paulista e manter sua competitividade internacional diante das crescentes exigências ambientais globais”, diz o texto.

Agência Fapesp| Maria Fernanda Ziegler

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