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S&P revisa perspectiva da Cosan para negativa após rebaixamento da Raízen

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Agência mantém rating ‘BB’ da holding e afirma que impactos imediatos são limitados, mas destaca incertezas sobre reestruturação de dívida da joint venture

A S&P Global Ratings revisou a perspectiva do rating corporativo da Cosan S.A. de estável para negativa e afirmou a nota ‘BB’ da companhia. A agência também manteve os ratings ‘BB’ das notas seniores sem garantia da Cosan Overseas Limited e da Cosan Luxembourg S.A., com rating de recuperação ‘3’ (65%) inalterado.

A ação ocorre após o rebaixamento, em 9 de fevereiro de 2025, da Raízen S.A. — joint venture entre Cosan e Shell plc — para ‘CCC+’, com colocação em CreditWatch com implicações negativas. Segundo a S&P, o rebaixamento da Raízen refletiu o aumento da probabilidade de reestruturação de sua dívida após a contratação de assessores financeiros e jurídicos para avaliar alternativas voltadas à otimização de sua estrutura de capital e liquidez.

De acordo com a agência, embora não haja expectativa de aceleração imediata de pagamentos cruzados de dívida ou impacto direto de caixa para a Cosan, riscos relacionados à eventual reestruturação da dívida da joint venture podem emergir e enfraquecer a flexibilidade financeira da holding.

A S&P afirma que os impactos imediatos sobre a Cosan decorrentes de uma possível reestruturação da dívida da Raízen são limitados. A agência destaca que a Cosan não é garantidora de nenhuma dívida da Raízen e que anunciou recentemente a amortização antecipada de suas notas seniores sem garantia com vencimentos em 2029, 2030 e 2031, que continham cláusulas de inadimplência cruzada.

Segundo a S&P, a dívida remanescente da Cosan — incluindo dívida no mercado local e o título perpétuo — não possui cláusulas de cross-default, o que reduz a probabilidade de aceleração de pagamentos no nível da holding.

A agência também menciona que os contratos de financiamento existentes com o BNDES permitem ao banco rediscutir dívidas de subsidiárias do grupo Cosan em caso de inadimplência da Raízen, com base na definição de grupo econômico da instituição. Contudo, a S&P afirma que a Cosan conta com liquidez suficiente para potencialmente quitar dívida com o BNDES, se necessário, além de haver margem para renegociação de termos.

Em 30 de setembro de 2025, as subsidiárias Raízen, Rumo e Compass possuíam, respectivamente, R$ 527 milhões, R$ 1,5 bilhão e R$ 2,8 bilhões em empréstimos com o BNDES.

A S&P ressalta que os efeitos indiretos da situação da Raízen são difíceis de prever. Segundo a agência, apesar de ser uma joint venture, a proximidade, o histórico e a relevância da Raízen para a Cosan podem prejudicar a flexibilidade financeira e o acesso ao mercado da holding.

A agência também avalia que os desdobramentos na Raízen sinalizam um processo decisório mais arriscado em nível de grupo. Em razão desses fatores, a S&P revisou a avaliação de gestão e governança (M&G) da Cosan para moderadamente negativa, ante neutra anteriormente.

Capitalização, refinanciamento e alavancagem

A S&P destaca que a entrada de capital e o refinanciamento recente da dívida ampliaram a margem de alavancagem compatível com o rating. Com os recursos provenientes do follow-on realizado em dezembro de 2025, por meio do qual a Cosan levantou R$ 10,5 bilhões, a agência projeta redução da dívida bruta para cerca de R$ 12 bilhões, ante R$ 21,6 bilhões em setembro de 2025 e R$ 36,3 bilhões em dezembro de 2024.

A S&P também estima redução da despesa financeira da holding para próximo de R$ 1 bilhão em 2026, ante projeção de R$ 3 bilhões em 2025.

Em base consolidada, segundo a agência, esses fatores, combinados ao desempenho resiliente das subsidiárias Rumo, Compass e Moove, devem permitir que a alavancagem líquida da Cosan permaneça entre 2,5x e 3,0x em 2026, comparada a 4,0x nos 12 meses encerrados em 30 de setembro de 2025 (antes da capitalização) e também a 4,0x no fim de 2024.

Liquidez e suporte potencial à Raízen

De acordo com a S&P, o fluxo consistente de dividendos das subsidiárias — exceto da Raízen —, a redução da despesa financeira e os recursos ainda não utilizados do follow-on devem sustentar um saldo de caixa saudável na holding, estimado em cerca de R$ 6 bilhões.

A agência afirma que esse montante é mais do que suficiente para cobrir encargos financeiros e outras saídas de caixa, como eventual retomada do pagamento de dividendos, além de proporcionar flexibilidade financeira diante de eventuais necessidades de suporte à Raízen.

Entretanto, a S&P ressalta que saídas de caixa superiores ao esperado para apoiar a joint venture, que elevem a alavancagem ou reduzam a liquidez da Cosan, podem desencadear um eventual rebaixamento do rating.

Perspectiva negativa e cenários

A perspectiva negativa reflete, segundo a agência, as incertezas relacionadas à estrutura de capital da Raízen e os possíveis impactos sobre a Cosan, especialmente em termos de percepção e confiança de mercado.

A S&P informa que poderá rebaixar a Cosan caso desenvolvimentos adversos na Raízen enfraqueçam a percepção de mercado e aumentem riscos reputacionais ou caso desembolsos de caixa para apoiar a joint venture pressionem a liquidez e a alavancagem da holding, comprometendo sua estratégia de redução de endividamento. Nesse cenário, a agência projeta dívida sobre EBITDA tendendo a 4,0x e FFO sobre dívida abaixo de 20% de forma consistente, além de enfraquecimento da posição de caixa para cobrir encargos financeiros.

Por outro lado, a S&P poderá revisar a perspectiva para estável caso mudanças na estrutura de capital da Raízen não resultem em maiores saídas de caixa para a Cosan nem agravem a percepção de risco de mercado. Nesse cenário, a agência espera que a Cosan mantenha dívida sobre EBITDA entre 2,5x e 3,0x em 2026, sustentada por dividendos das subsidiárias, possíveis vendas adicionais de ativos e crescimento do EBITDA nas controladas.

Natália Cherubin para RPAnews

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