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XP reduz projeção de moagem de cana para 613,5 milhões de t no Centro-Sul

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Estimativa para a safra 2026/27 foi reduzida em 12,4 milhões de toneladas; consultoria também prevê 27 milhões de toneladas de cana bisada e produção de açúcar abaixo de 37 milhões de toneladas

A XP Investimentos reduziu novamente sua projeção de moagem de cana-de-açúcar no Centro-Sul para a safra 2026/27, passando de 625,9 milhões para 613,5 milhões de toneladas, um corte de 12,4 milhões de toneladas. A revisão, apresentada em relatório divulgado em 15 de outubro, considera os resultados da safra até o momento e as previsões meteorológicas para outubro, diante do excesso de chuvas que vem prejudicando a colheita e a qualidade da matéria-prima. A instituição estima ainda que aproximadamente 27 milhões de toneladas de cana deixem de ser colhidas nesta temporada e sejam transferidas para 2027/28.

No relatório do banco, divulgado na última semana, os analistas Leonardo Alencar, Leonardo Paiva e Arthur Devite destacam que, além da menor moagem, as precipitações continuam afetando o acúmulo de sacarose na cana. Por isso, a XP também reduziu em 2,3 quilos por tonelada sua estimativa de Açúcar Total Recuperável (ATR), agora projetado em 134,3 kg/t.

O volume representa uma queda de 2,5% em relação aos 137,8 kg/t registrados na safra 2025/26. Com isso, a disponibilidade total de ATR deverá recuar de 84,2 milhões para 82,4 milhões de toneladas, redução de 2,2%.

Apesar dessas perdas, a moagem estimada para o ciclo atual ainda representa um ligeiro crescimento de 0,4% em relação às 611,2 milhões de toneladas processadas na safra anterior. A XP também projeta avanço de 2,4% na produtividade agrícola, de 75,1 para 76,9 toneladas de cana por hectare.

A principal preocupação, entretanto, está no volume de cana que deverá permanecer no campo. Segundo os analistas, as aproximadamente 27 milhões de toneladas de cana bisada poderão ampliar a disponibilidade de matéria-prima na temporada seguinte, com reflexos sobre o potencial de produção de etanol.

Para a safra atual, por outro lado, o impacto é de menor oferta de açúcar, justamente em um momento em que a instituição identifica sinais de restrição nos estoques globais.

Produção de açúcar deve ficar abaixo de 37 milhões de toneladas

Com a revisão das estimativas de moagem e qualidade da cana, a XP também reduziu em aproximadamente 1,5 milhão de toneladas sua projeção de produção de açúcar no Centro-Sul, agora estimada em 36,9 milhões de toneladas.

Caso o volume se confirme, representará uma queda de 8,8% em relação aos 40,4 milhões de toneladas produzidos na safra 2025/26.

A instituição avalia que, embora a relação de preços entre açúcar e etanol continue favorecendo uma maior destinação de cana ao adoçante até o encerramento da safra, esse movimento não será suficiente para compensar a menor disponibilidade de matéria-prima.

A projeção é de que o mix açucareiro alcance 47% em 2026/27, abaixo dos 50,4% registrados no ciclo anterior.

Na avaliação dos analistas, a perspectiva de uma produção brasileira mais restrita limita o espaço para uma queda sustentada dos preços internacionais do açúcar no médio prazo.

O relatório destaca que os preços já acumularam forte valorização nas últimas semanas. Até 15 de outubro, o contrato de março de 2027 na bolsa de Nova York havia avançado aproximadamente 12% em um mês, refletindo a percepção de um balanço global de oferta e demanda mais apertado.

Entre os fatores que contribuíram para esse movimento, a XP menciona volumes de entrega abaixo do esperado na bolsa, sinais de melhora da demanda, deterioração das perspectivas de produção na Europa e sucessivas revisões negativas para a safra brasileira.

A instituição considera que o mercado começa a abandonar a expectativa de que o Brasil conseguiria compensar integralmente os problemas de produção em outras regiões exportadoras.

Mesmo após a valorização recente das cotações, os analistas avaliam que os preços ainda não refletem completamente a possibilidade de a produção de açúcar do Centro-Sul ficar abaixo de 37 milhões de toneladas.

O relatório também aponta que os estoques brasileiros de açúcar, embora tenham apresentado aumento sazonal, não indicam necessariamente uma melhora estrutural da oferta. Segundo a XP, o movimento está relacionado à sazonalidade das exportações, enquanto a relação entre estoques e consumo permanece em patamares historicamente reduzidos.

Para 2026/27, a instituição projeta uma relação estoque/consumo de 4,9%, ante 4,6% na safra anterior.

Produção de etanol também sofre revisão

A menor disponibilidade de cana e a redução da qualidade da matéria-prima também levaram a XP a cortar em aproximadamente 800 milhões de litros sua estimativa de produção de etanol na safra 2026/27.

Apesar da revisão, a instituição ainda projeta uma produção total de 35,4 bilhões de litros de etanol no Centro-Sul, considerando cana-de-açúcar e milho, crescimento de 5% em relação aos 33,7 bilhões de litros registrados no ciclo anterior.

Desse total, 25,6 bilhões de litros deverão ser provenientes da cana-de-açúcar, enquanto a produção de etanol de milho está estimada em 9,8 bilhões de litros.

Segundo os analistas, a produção de etanol deverá continuar pressionada até o encerramento da safra. Entretanto, os estoques atuais ainda são considerados confortáveis, embora apresentem redução quando ajustados aos padrões sazonais, movimento que sugere manutenção da demanda pelo biocombustível.

Para a próxima temporada, a quantidade de cana que deverá permanecer nos canaviais poderá contribuir para ampliar a disponibilidade de matéria-prima e favorecer a produção de etanol.

No mercado de açúcar, entretanto, a avaliação da XP é de que a combinação de menor moagem, redução do ATR e perspectivas mais restritas para a oferta internacional continuará oferecendo sustentação às cotações. Para os analistas, uma produção brasileira inferior a 37 milhões de toneladas torna menos provável um cenário de preços persistentemente baixos no médio prazo.

Natália Cherubin para RPAnews

 

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