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Casamento cancelado no altar: etanol de milho desiste da lua de mel com o Argenta

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Você piscou… e o casamento mais promissor do etanol brasileiro ficou só no noivado. Era pra ser uma união poderosa: de um lado, a Inpasa, maior produtora de etanol de milho do Brasil. Do outro, o Grupo Argenta, gaúcho valente, que vem costurando seu espaço com bandeira internacional (Petronas), ativos herdados da TotalEnergies e uma nova distribuidora nacional chamada Nexta.

A cerimônia já tinha nome, bênção do setor e padrinhos de peso. Mas, de última hora, a Inpasa recuou.

Fontes sérias — daquelas que não aparecem na foto, mas enxergam o álbum inteiro — garantem: a joint venture entre Inpasa e Argenta foi cancelada.

E não estamos falando de qualquer separação. O que estava em jogo era a criação de mais uma gigante verticalizada, com produção, logística e distribuição no mesmo pacote. Um modelo parecido com o que Shell + Cosan fizeram (Raízen) e Vibra + Copersucar repetiram (Evolua).

Mas quando o maior produtor de etanol de milho do país resolve não subir ao altar, é porque a coisa ficou mais delicada que parecia. Pode ter sido estratégia, cultura, governança… ou só um “melhor não”. Casamento no Downstream exige mais que afinidade — exige visão, equilíbrio e sinergia real.

E o Argenta? Vai chorar no altar? Nada disso. O grupo segue firme com a Nexta, sua 11ª empresa, mirando o Sudeste com apetite nacional. A sede já subiu pra São Paulo — porque conquistar o Brasil com QG em Bento Gonçalves é charmoso, mas não prático. E o plano de crescer segue acelerado.

O que fica pro mercado? Fica o alerta de que nem toda fusão vira dança. Que o mercado está aquecido, mas seletivo. E que os novos entrantes estão cada vez mais robustos, mesmo sem alianças formais.

Pra quem é dono de posto, TRR ou distribuidor regional, o cenário exige atenção. A Inpasa talvez siga sozinha, mas continua grande. E o Argenta segue com marca, ativos e disposição de sobra. No mais, como dizia um sábio do interior: “Negócio bom é igual queijo curado: precisa de tempo, paciência… e do ponto certo de maturação.”

*Wladimir Eustáquio Costa é CEO da Suporte Postos, especialista em mercados internacionais de combustíveis, conselheiro e interventor nomeado pelo CADE, com foco em governança e estratégia no setor downstream.

As opiniões expressas nos artigos são de responsabilidade de seus respectivos autores e não correspondem, obrigatoriamente, ao ponto de vista da RPAnews. A plataforma valoriza a pluralidade de ideias e o diálogo construtivo.
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