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[Opinião] CNPEM: um tesouro do Brasil que reverbera no mundo

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Após 10 anos atuando como membro do Conselho de Administração do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), encerro este ciclo, em 2025, com um sentimento profundo de gratidão, orgulho e, sobretudo, esperança.

Estar próximo de uma instituição como o CNPEM foi uma das experiências mais enriquecedoras da minha trajetória. Ao longo desse período, acompanhei de perto a excelência científica brasileira se afirmar no cenário internacional, por meio de um trabalho sério, inovador e comprometido com o desenvolvimento sustentável do país.

O CNPEM é um tesouro nacional. Um centro de pesquisa que reúne algumas das mentes mais brilhantes do Brasil, operando equipamentos científicos de classe mundial — como o Sirius, nosso acelerador de elétrons — e produzindo conhecimento que nos projeta para o futuro. A ciência feita ali não é apenas teórica ou acadêmica: ela tem impacto direto na economia, no meio ambiente e na qualidade de vida de milhões de pessoas.

Entre tantos avanços, destaco com entusiasmo uma pesquisa recentemente publicada na revista Nature, que revela o potencial inexplorado da biodiversidade brasileira para impulsionar uma nova era da bioenergia. Trata-se de um estudo que decifra o poder dos microrganismos nativos de nossos biomas, capazes de transformar resíduos da biomassa em energia limpa de forma mais eficiente. Um exemplo claro de como ciência de ponta pode ser aliada estratégica do desenvolvimento sustentável — e de como o Brasil tem tudo para ser protagonista dessa transformação.

Ao me despedir do conselho, quero agradecer a todos os pesquisadores, técnicos e colaboradores do CNPEM pela convivência e aprendizado. É impossível sair dessa experiência sem uma admiração renovada pela inteligência brasileira e pelo papel que a ciência pode — e deve — desempenhar no nosso futuro.

Um agradecimento especial ao Prof. Rogério Cerqueira Leite, que faleceu no ano passado, deixando um grande legado para a ciência. Presidente de Honra e Presidente do Conselho do CNPEM desde o início de suas atividades, ele foi, sem dúvidas, uma das personalidades centrais para a consolidação e avanço da ciência, tecnologia e inovação no Brasil.  No início da década de 80, o Prof. Cerqueira Leite teve papel decisivo para viabilizar o projeto e a construção da primeira fonte de luz síncrotron do Hemisfério Sul, que veio a se tornar o Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS) e o início da criação do CNPEM. Era um visionário que, merecidamente, colecionou os principais títulos e comendas de sua área de atuação no Brasil e no mundo.

Tenho certeza que seu legado está em boas mãos, já que sua sucessora no cargo, Marcela Flores, primeira mulher a ocupar a presidência do Conselho do CNPEM, é mais do que gabaritada, com uma trajetória reconhecida pela contribuição ao desenvolvimento da ciência no país e no mundo. Tenho também a alegria de dar as boas-vindas a André Clark, que assumirá meu lugar no conselho. Sua trajetória no setor industrial e seu olhar atento para a inovação e a sustentabilidade me dão plena confiança de que o CNPEM seguirá em ótimas mãos. Desejo a ele uma jornada tão inspiradora quanto a que vivi, mesmo porque tenho certeza de que ele é mais competente e atualizado do eu para enfrentar os desafios desse novo ciclo.

Acredito firmemente que o Brasil precisa — e pode — apostar mais em ciência, tecnologia e educação como pilares de seu projeto de nação. O CNPEM é uma prova concreta de que, quando investimos com seriedade nesses pilares, colhemos resultados que reverberam no Brasil e no mundo. Saio com orgulho, mas sigo à disposição. A ciência brasileira merece todo o nosso apoio, hoje mais do que nunca.

*Maurílio Biagi Filho é empresário e presidente do grupo Maubisa

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