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Diretor da São Martinho avalia que preço atual do açúcar no mercado futuro está “errado”

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O diretor financeiro da São Martinho, Felipe Vicchiato, afirmou nesta terça-feira, 24, que o preço atual do açúcar no mercado futuro está “bastante distorcido” e abaixo do que deveria estar, diante das reais perspectivas de oferta global.

“Entendemos que o preço atual do açúcar está bastante errado, diante da expectativa de produção no Brasil, que já foi muito alta no ciclo passado e agora há estimativas de que possa atingir 42 milhões de toneladas” disse o executivo durante a teleconferência de resultados da companhia.

Apesar de citar previsões de aumento na produção do Brasil, da Tailândia e da Índia, Vicchiato deu a entender que o mercado pode estar superestimando esse crescimento, o que estaria pressionando os preços para níveis considerados injustificados.

“A safra da Índia e da Tailândia começa entre setembro e outubro, e há expectativa de melhora de produtividade, mas ainda não começou. Ainda pode acontecer”, ponderou.

Diante dessa forte queda nas cotações recentes e da volatilidade do cenário, a São Martinho optou por não divulgar um guidance de produção de açúcar e etanol neste momento. “Preferimos não passar, neste momento, um guidance de produção, diante da forte queda do preço do açúcar nas últimas semanas”, comentou.

A companhia já fixou uma parcela do açúcar da atual safra, a um preço médio de R$ 2.565 por tonelada – 3% abaixo do valor médio realizado no ano passado. Ainda assim, o impacto na margem deve ser limitado, já que a empresa espera uma redução no custo de produção do adoçante, explicou o executivo.

Atualmente, o açúcar em Nova York está cotado entre US$ 0,16 e US$ 0,17 por libra-peso, remunerando apenas 11% a mais do que o etanol hidratado. Esse nível estreito de diferencial tem levado algumas usinas do Centro-Sul – especialmente em Minas Gerais, Mato Grosso e Goiás – a dar prioridade à fabricação de etanol.

Vicchiato também destacou que o possível anúncio do E30 (elevação da mistura de etanol na gasolina para 30%) deve impulsionar a demanda pelo biocombustível e reforçar a atratividade dessa opção de produção. O tema deve ser debatido pelo governo nesta quarta-feira, 25.

Agência Estado| Leandro Silveira

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