As exportações brasileiras do complexo sucroenergético apresentaram desempenhos distintos em julho. Enquanto os embarques de açúcar bruto recuaram tanto na comparação mensal quanto anual, as vendas externas de etanol cresceram 18% em relação a julho de 2025. Apesar da reação mensal, o volume acumulado de etanol entre janeiro e julho permaneceu no menor nível para o período desde 2003, segundo o Radar Agro de Exportações do Agronegócio, divulgado pelo Itaú BBA com base em dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
No açúcar bruto, os embarques somaram 2,53 milhões de toneladas em julho, queda de 9% frente a junho e de 19% na comparação com julho de 2025, quando haviam alcançado 3,13 milhões de toneladas. A receita com as exportações de VHP foi de US$ 850 milhões no mês.
O preço médio do açúcar bruto exportado também ficou abaixo do registrado há um ano. Em julho, o valor médio foi de US$ 335,8 por tonelada, recuo de 17% ante os US$ 403 por tonelada observados em julho de 2025. Na comparação com junho deste ano, houve queda de 1%.
De acordo com o Itaú BBA, o desempenho mais fraco do açúcar já era esperado diante da elevada disponibilidade global da commodity no curto prazo e da demanda internacional retraída. A consultoria trabalha com estimativa de superávit global de 2,8 milhões de toneladas na safra 2025/26, considerando o período de outubro a setembro.
China e Indonésia reduzem compras
A menor demanda de compradores asiáticos também teve peso sobre os embarques brasileiros. Entre janeiro e julho, as exportações de açúcar para a China recuaram 34% na comparação com o mesmo período de 2025.
Na Indonésia, a queda foi ainda mais expressiva. Os embarques brasileiros não chegaram a 100 mil toneladas nos primeiros sete meses deste ano, ante cerca de 1 milhão de toneladas exportadas entre janeiro e julho de 2025.
Segundo o Itaú BBA, esse comportamento está relacionado à maior disponibilidade de açúcar na própria Ásia. A China alcançou produção recorde de 12,9 milhões de toneladas em 2025/26 e deve superar novamente esse volume em 2026/27, além de manter estoques considerados confortáveis.
A Tailândia, atualmente principal fornecedora do mercado asiático, produziu 11,9 milhões de toneladas em 2025/26, reduzindo a necessidade de importação de açúcar brasileiro por países como a Indonésia.
O cenário, porém, pode mudar nos próximos meses. O banco destaca que as perspectivas de quebra da safra tailandesa merecem atenção, uma vez que uma redução da oferta do país poderia reconfigurar os fluxos comerciais na Ásia e abrir maior espaço para o açúcar brasileiro. Essa oportunidade poderia ser ampliada caso a Índia mantenha uma postura mais restritiva em relação às exportações.
No acumulado de janeiro a julho, o Brasil exportou 13,294 milhões de toneladas de açúcar VHP, redução de 7% frente às 14,271 milhões de toneladas registradas no mesmo intervalo de 2025. O preço médio caiu 21%, de US$ 440,1 para US$ 347,9 por tonelada.
Já as exportações de açúcar refinado somaram 452 mil toneladas em julho, crescimento de 1% na comparação anual e de 33% em relação a junho. A receita foi de US$ 177 milhões. Mesmo assim, o avanço foi insuficiente para compensar a retração observada no açúcar bruto.
Entre janeiro e julho, os embarques de açúcar refinado atingiram 1,946 milhão de toneladas, queda de 10% frente ao mesmo período do ano passado. O preço médio recuou 18%, para US$ 413,4 por tonelada.
Etanol cresce em julho, mas acumulado é o menor desde 2003
No etanol, as exportações brasileiras alcançaram 179 mil metros cúbicos em julho, alta de 18% sobre igual mês de 2025 e mais que o dobro do volume observado em maio deste ano. A receita mensal chegou a US$ 97 milhões.
Na comparação com junho, o avanço dos embarques foi de 162%. Já o preço médio ficou em US$ 539,7 por metro cúbico, queda de 12% no mês e de 1% em relação a julho do ano passado.
Apesar da recuperação recente, o desempenho acumulado permanece fraco. Entre janeiro e julho, as exportações de etanol somaram apenas 528 mil metros cúbicos, queda de 41% frente aos 901 mil metros cúbicos exportados no mesmo intervalo de 2025.
Segundo o Itaú BBA, esse é o menor volume registrado para o período desde 2003. Mantido o ritmo atual, a avaliação é de que os embarques da safra dificilmente superarão os 1,6 bilhão de litros exportados na temporada anterior.
No acumulado dos sete primeiros meses do ano, a receita das exportações de etanol foi de US$ 313 milhões, enquanto o preço médio atingiu US$ 593 por metro cúbico, 4% acima do registrado no mesmo período de 2025.
Natália Cherubin para RPAnews




