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Etanol de milho cresce 20% ao ano e faz do Brasil o segundo maior produtor mundial

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Com 3,7 bilhões de litros de etanol processados e expansão de plantas, Mato Grosso concentra dez das 24 biorrefinarias do país e impulsiona segunda safra

Às margens da BR-163, em Sinop (MT), uma estrutura de torres, dutos e tanques de aço lembra um cenário futurista. A fila de carretas carregadas de milho dá uma pista do que as placas indicam: o lugar é a maior refinaria de milho para produção de etanol da América Latina.

Em 2024, a Inpasa processou 3,7 bilhões de litros – quase a metade do biocombustível do grão produzido no país. No mercado geral de etanol, incluindo cana-de-açúcar, a participação foi de 12%.

Segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), 2024 foi o ano de maior oferta de etanol do país, com 36,8 bilhões de litros produzidos, alta de 4,4% ante o ano anterior.

A participação do etanol de milho cresce e a expectativa da União Nacional do Etanol de Milho (Unem) é de alcançar 10 bilhões de litros na safra 2025/26, 20% a mais do que a anterior, de 8,19 bilhões de litros. Isso já coloca o Brasil como segundo maior produtor mundial, atrás apenas dos EUA.

Material para isso, o Brasil tem, pois é o terceiro maior produtor de milho do mundo. Nos últimos dez anos, a produção nacional aumentou 40% e hoje está em torno de 130 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

O milho seduz o produtor com atrativos extras: pode ser armazenado, o que facilita o planejamento da produção, é cultivado em até três safras e gera coprodutos valiosos utilizados na alimentação de animais, além de óleo.

A unidade da Inpasa produz 1 milhão de toneladas de grãos secos de destilaria com solúveis (DDGS) – proteína de alto valor agregado alternativa ao farelo de soja para alimentação animal –, 105 mil toneladas de óleo e 804,1 GWh de bioeletricidade.

Na Inpasa, o milho descarregado é triturado, hidratado e recebe leveduras para fermentação em dornas gigantescas. Após moagem, o óleo é separado por centrifugação, obtendo o etanol anidro e hidratado, além do DDGS. Uma plataforma digital integra as operações, monitorando em tempo real os resíduos e a destinação.

A biomassa é transformada em energia elétrica, consumida nas unidades, com o excedente inserido no Sistema Integrado Nacional (SIN). “Mato Grosso, como polo agrícola estratégico, continua sendo central em nossos planos: além de Sinop e Nova Mutum, avaliamos novas oportunidades para fortalecer nossa verticalização e eficiência logística”, disse o vice-presidente de negócios e originação da Inpasa, Flávio Peruzo Gonçalves.

A unidade de Sinop emprega 1,2 mil profissionais. No total, são 2,8 mil no Brasil, somando as unidades de Nova Mutum (MT), Sidrolândia (MS), Dourados (MS) e Balsas (MA). Uma nova planta está sendo lançada em Luís Eduardo Magalhães (BA), com investimento de R$ 4,9 bilhões.

A chegada da refinaria, em 2018, trouxe mais incentivo para a produção de milho na região, já que todo o grão destinado à moagem é adquirido de produtores locais. Para isso, a empresa exige referências sociais e ambientais e incentiva práticas sustentáveis nas áreas de produção.

“A planta absorve parte importante da oferta local de milho e estimula o cultivo da segunda safra, oferecendo liquidez e previsibilidade aos produtores, o que fortalece a agricultura, gera renda e impulsiona o desenvolvimento logístico”, diz Gonçalves.

Antes, a maior parte do milho do norte de Mato Grosso era exportada, um desafio logístico que dificultava também a expansão da segunda safra. Com a refinaria, os produtores têm maior liquidez da safra e estímulo à tecnificação do campo.

“Antes a gente plantava milho só para ter a palhada no solo. Com a refinaria, o milho ganhou valor e passamos a investir em sementes, adubo e tecnologia. Foi uma porta que se abriu”, diz o produtor Invaldo Weiss, de Santa Carmem (MT).

Mato Grosso lidera na moagem de milho para etanol, com 12,5 milhões de toneladas, segundo o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea). O estado está à frente de Mato Grosso do Sul (3,51 mi) e Goiás (2,1 mi).

Dados da Unem indicam que dez das 24 biorrefinarias de etanol de milho em operação no país estão em solo mato-grossense. Além disso, outras 16 têm autorização de construção e 16 estão projetadas.

Em Sorriso, a FS processa 4,8 milhões de toneladas de milho e produz 2,3 bilhões de litros de etanol, além de 1,7 milhão de toneladas de DDGS. E novos negócios surgem.

Fornecedor de milho para a Inpasa, Weiss e sócios investiram R$ 1 bilhão na Etanol Verde do Mato Grosso (Evermat), que começará a processar 1,2 mil toneladas de milho por dia em março. “Já temos 1 milhão de sacas em estoque”, diz Weiss.

Agência Estado|José Maria Tomazela

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