Mário Campos Filho argumenta que o setor sucroenergético da região se volta para a produção do biometano como alternativa limpa e estratégica na transição energética.
O Triângulo Mineiro está cada vez mais próximo de se consolidar como um dos principais polos de bioenergia do país. Com usinas modernas, grupos econômicos sólidos e um histórico de produção eficiente de etanol e açúcar, a região agora avança também na diversificação energética, apostando fortemente no biometano como alternativa limpa e estratégica.
A avaliação é do presidente da Associação da Indústria da Bioenergia e do Açúcar de Minas Gerais (Siamig Bioenergia), Mário Campos Filho, que vê o Triângulo como peça-chave na transição para uma economia de baixo carbono.
Segundo Campos Filho, Uberaba e região já despontam como referência em projetos sustentáveis. A usina Aroeira, em Tupaciguara, já produz biometano, enquanto a usina Vale do Tijuco, do grupo CMAA, em Uberaba, deve iniciar sua produção em breve.
Esse biocombustível é gerado a partir da vinhaça e da torta de filtro, resíduos do processo da cana-de-açúcar, e pode ser usado tanto no transporte quanto na geração de energia elétrica, reduzindo a dependência de fontes fósseis.
Mário Campos Filho, da Siamig, tem presença confirmada na Conferência NovaCana 2025. Ele será um dos debatedores do painel “Impacto das políticas públicas no etanol: riscos, oportunidades e próximos passos”. Clique aqui e veja a programação completa.
Um dos usos mais promissores do biometano na região é na substituição do óleo diesel na frota agrícola. As operações com tratores, colhedoras e caminhões pesados, que hoje consomem grandes volumes de diesel, podem ser convertidas para o biometano, promovendo não só economia como também uma redução significativa nas emissões de gases de efeito estufa.
“Já temos testes em andamento, e a aplicação prática está cada vez mais próxima da realidade do campo”, afirmou Campos.
A utilização do biometano também tem potencial para alcançar o transporte urbano. Cidades como São Paulo já anunciaram a aquisição de centenas de ônibus movidos a esse combustível, e o mesmo movimento pode chegar a municípios do Triângulo Mineiro. “Temos produção local, temos tecnologia e temos demanda. É uma combinação rara e poderosa para consolidar a região como centro de referência em energia limpa”, destacou o presidente da SIAMIG Bioenergia.
Além do transporte, o biometano também pode transformar a cadeia agrícola por meio da produção de fertilizantes verdes. Compostos como ureia e amônia, essenciais para a agricultura, podem ser fabricados a partir do gás renovável, reduzindo a pegada de carbono da produção agrícola brasileira e diminuindo a dependência de insumos importados.
Com todos esses elementos, o Triângulo Mineiro reúne as condições ideais para liderar a nova fronteira energética do Brasil. Ao mesmo tempo em que mantém sua força tradicional na produção de açúcar e etanol, a região mostra capacidade de inovar e investir em sustentabilidade, posicionando-se como exemplo nacional no desenvolvimento da bioenergia.
*JM Online/Joanna Prata