Preços dos cbios respondem à maior presença de compradores
A semana se encerra com quatro dias consecutivos de alta no preço médio diário de negociações de Cbios. Partiu de R$ 25,00/Cbio em 15/12/25 para R$ 31,40/Cbio na 6ªf passada, uma alta de 25,6%. Em um mês caiu 11,4%.
A proximidade do fim do prazo de cumprimento da meta, que pressupõe a compra e aposentadoria dos Cbios, associado aos preços historicamente baixos, trouxe um volume muito maior de compradores à mesa. Nas últimas quatro semanas foram negociados 6,7 milhões de Cbios contra 2,5 milhões nas quatro semanas anteriores, um crescimento de 168%.
As aposentadorias, momento em que os Cbios deixam de ser um ativo na contabilidade para se tornar um custo, nas últimas quatro semanas registraram 13,1 milhões de Cbios contra 2,9 milhões nas quatro semanas anteriores, um crescimento de 352%.
Emissões ligeiramente acima da média
A média diária de emissões de Cbios está 2,7% acima do registrado em 2024 e 1,0% acima comparando o mesmo período. Boa parcela desse crescimento se deveu ao aumento do mix de biodiesel ao diesel, que subiu 1 pp%. O ritmo das emissões só não foi maior pela quebra da safra de cana, pela qualidade baixa e pelo mix açucareiro diante dos preços do açúcar no mercado internacional, mais vantajoso que o etanol na maior parte do tempo neste ciclo safra até aqui. Com perspectiva de safra melhor para o ano que vem, com preços do açúcar baixos e rentabilidade inferior ao etanol, ou pelo menos mais equilibrada, devemos ter um aumento de oferta de Cbios. O aumento de mistura de biodiesel ao diesel também contribuirá nessa direção.
A oferta esperada maior de Cbios deverá ser um fator baixista para preços no ano de 2026.
Estoques de Cbios caem nas usinas
Os estoques em posse dos emissores, os produtores de biocombustíveis, fecharam a sexta-feira com 13,99 milhões de Cbios, 10,7% menores que os 15,68 milhões de Cbios registrados no final de nov/25, mas representam ainda 30,0% do total das metas de 2025, já descontados os contratos de longo prazo.
Considerando os volumes setoriais acumulados, para os 38,87 milhões de Cbios da meta, 25,64 milhões estariam aposentados, 7,25 milhões em estoque da parte obrigada, restando serem comprados 5,98 milhões de Cbios pela parte obrigada.
Se considerarmos que mais de 11 milhões de Cbios acumuladamente não foram comprados por algumas distribuidoras que estão questionando o Renovabio ou simplesmente descumpriram a regra, podemos dizer que a situação atual de cumprimento é bastante avançada por parte daquelas que estão em dia com o Renovabio, ou já teriam atendido a totalidade de suas metas.
O retorno dos compradores inadimplentes: A grande questão!
A grande questão ainda será a presença ou não das distribuidoras não-conformes com o Renovabio. Se elas retornarem às compras, seja com acordos, seja por liberalidade, teremos uma pressão altista predominante nas cotações de Cbios, com volumes diários negociados bem maiores. Caso contrário, teremos mais um ano de preços baixos, a espera de alguma ação regulatória ou judicial mais eficaz e “definitiva”.
E você, o que vislumbra desse mercado?
*João Chierighini – Consultor em Inteligência de Mercado, Logística e Commodities, Combustíveis, Biocombustíveis e CBIOs