Volumes razoáveis de negócios envolvendo etanol foram registrados pelo Cepea nos últimos dias úteis de 2025 em algumas regiões produtoras do Centro-Sul do Brasil. Segundo pesquisadores do Cepea, ainda que muitos agentes de mercado já tivessem antecipado a comercialização visando atender à demanda de combustíveis no período de festividades, novas quantidades foram efetivadas no período.
No caso do etanol anidro, os negócios se destacaram no estado de São Paulo, onde o volume quase triplicou na comparação semanal, sustentado pelas boas vendas de gasolina C no varejo. Já para o etanol hidratado, as vendas cresceram 43% nas usinas paulistas no mesmo comparativo.
Para os primeiros dias de janeiro, pesquisadores do Cepea indicam que deve haver alguma reposição de volumes, o que tende a gerar maior liquidez no mercado de combustíveis. Nesse contexto, os preços — que já vinham firmes há semanas — podem manter trajetória de alta. Dados do Cepea mostram que o Indicador CEPEA/ESALQ do etanol hidratado avança há 12 semanas consecutivas no estado de São Paulo, enquanto o do etanol anidro registra alta há duas semanas.
Entre 29 de dezembro e 2 de janeiro, o Indicador CEPEA/ESALQ do etanol hidratado no estado de São Paulo fechou em R$ 2,9561 por litro (líquido de ICMS e PIS/Cofins), alta de 0,9% frente à semana anterior. Para o etanol anidro, o indicador encerrou o período a R$ 3,3688 por litro, valor líquido de impostos (sem PIS/Cofins), com avanço de 0,59% no mesmo intervalo.
Entressafra ainda firme, mas cenário se torna mais desafiador à frente
A entressafra 2025/26, que vai de janeiro a março de 2026, ainda deve ser marcada por preços firmes ao vendedor, sustentados pela demanda aquecida e por estoques menores de etanol no Centro-Sul, segundo o Cepea.
Já a safra 2026/27, com início em abril, tende a exigir maior cautela dos agentes. Pesquisadores apontam que o cenário passa a ser mais desafiador, com risco de pressão baixista sobre os preços do etanol, diante da possibilidade de avanço da oferta em ritmo superior ao da demanda. As estimativas preliminares indicam moagem de cana-de-açúcar em torno de 625 milhões de toneladas no Centro-Sul.
No mercado de açúcar, a expectativa é de superávit global, o que pode limitar os preços internacionais e levar usinas brasileiras a ajustarem o mix em favor do etanol, intensificando a pressão sobre as cotações do biocombustível. O comportamento do petróleo também é citado como fator relevante nesse contexto.
No caso do etanol de milho, pesquisadores do Cepea destacam que a trajetória de crescimento da produção segue evidente. A safra 2025/26 já apresentou expansão em relação ao ciclo anterior, e a participação do etanol de milho no total produzido deve continuar avançando.