Projeto em Uttar Pradesh integra conceito SED Smart Village e marca avanço da tecnologia de reciclagem de carbono em escala comercial
A unidade utilizará gás gerado pela gaseificação do bagaço com ar enriquecido com oxigênio e integra a implantação, em escala comercial, da tecnologia de reciclagem de carbono da LanzaTech para a produção de etanol a partir de matérias-primas residuais.
Com capacidade projetada para processar até 300 toneladas de bagaço por dia, a usina será instalada no estado de Uttar Pradesh, na Índia, e é considerada um componente central do conceito SED Smart Village. A expectativa é que a planta entre em operação em até dois anos.
O modelo da SED Smart Village foi concebido para capturar todo o valor econômico da energia renovável e dos recursos de carbono disponíveis localmente. A proposta prevê que a oferta abundante e de baixo custo de energia direcione a demanda por carbono para a produção de itens de maior valor agregado, como químicos verdes, polímeros, combustíveis de aviação e combustíveis sintéticos.
Além do etanol, as companhias envolvidas estimam que o projeto da LanzaTech gere biochar rico em nutrientes, em uma proporção entre 5% e 10%, que poderá ser utilizado por comunidades agrícolas locais para melhorar a fertilidade do solo.
Segundo Vivek Verma, fundador da SED, a agricultura moderna está prestes a passar por uma transformação significativa impulsionada pela energia solar verde e pelo hidrogênio, criando novas oportunidades para as economias rurais. De acordo com o executivo, o potencial solar da Índia ao longo de todo o ano, aliado às terras férteis e à crescente demanda por energia, posiciona o país de forma única para um futuro baseado em energia renovável de baixo custo.
Verma afirma ainda que, à medida que as tecnologias de energia solar, eólica, baterias e armazenamento amadurecem, os custos da eletricidade tendem a cair de forma significativa, impulsionados pelo avanço do armazenamento distribuído de energia. Para ele, o ponto central é garantir que o processamento da biomassa e a reciclagem de nutrientes ocorram localmente, preservando a saúde do solo e fortalecendo as economias rurais. Segundo o fundador da SED, ao utilizar biomassa agrícola não alimentar e resíduos animais como fonte de carbono, é possível descarbonizar a agricultura e construir um ecossistema sustentável de hidrocarbonetos.
De acordo com o anúncio, as instalações industriais da LanzaTech serão equipadas com biorreatores que operam de forma semelhante a uma cervejaria. No entanto, em vez de leveduras converterem açúcar em cerveja, microrganismos patenteados transformam gases ricos em carbono — incluindo CO₂ combinado com hidrogênio verde (H₂) — em etanol.
As companhias destacam que, ao aproveitar a cadeia de suprimentos já existente, a instalação evitará a queima de resíduos de bagaço e permitirá a produção local de combustíveis, produtos químicos e matérias-primas. Segundo elas, essa abordagem reforça a economia circular e contribui para a construção de um futuro mais resiliente para as comunidades produtoras de cana-de-açúcar.
O projeto também se destaca por ser um dos primeiros casos em que uma empresa privada desenvolve uma planta de etanol a partir de bagaço de cana-de-açúcar no âmbito do programa PM JI-VAN Yojana, iniciativa do governo indiano criada para apoiar a produção de etanol avançado a partir de resíduos agrícolas e industriais.
Segundo a CEO da LanzaTech, Jennifer Holmgren, a parceria com a SED amplia a presença da companhia na Índia e cria um roteiro para a implantação comercial de resíduos agrícolas como matéria-prima essencial para a produção de etanol. Holmgren, que também integra o Conselho de Administração do US-India Strategic Partnership Forum (USISPF), afirmou que matérias-primas derivadas de resíduos podem apoiar a iniciativa Make in India, do primeiro-ministro Narendra Modi, ao impulsionar a produção nacional e regional de bens e materiais estratégicos.
Atualmente, a tecnologia da LanzaTech já está implantada na Índia na unidade de Panipat da Indian Oil Corporation, onde utiliza gases residuais de refinaria. Esta é a sexta planta em escala comercial no mundo a empregar a tecnologia da companhia.
Além disso, uma unidade de produção de etanol com capacidade de 10 toneladas por dia, desenvolvida pela NTPC, a partir de CO₂ residual e hidrogênio verde, encontra-se em estágio avançado de execução no complexo de Pudimadaka da empresa, no estado de Andhra Pradesh.