Avanço da oferta no Centro-Sul do Brasil e na Índia pressiona as cotações; estimativas apontam excedente global mais elevado em 2025/26
Os preços do açúcar fecharam em queda na quarta-feira, pressionados pelo aumento da produção global e pela perspectiva de maior oferta no mercado internacional. Em Londres, o açúcar registrou o menor patamar em cerca de dois meses e meio, refletindo o cenário de ampliação da disponibilidade do produto nos principais países produtores.
No Brasil, dados divulgados pela UNICA indicam avanço da produção na região Centro-Sul. Segundo a entidade, a produção acumulada de açúcar na safra 2025/26, até dezembro, alcançou 40,222 milhões de toneladas, crescimento de 0,9% na comparação anual. O mix também se manteve mais açucareiro: a proporção de cana destinada à fabricação de açúcar subiu para 50,82% na safra 2025/26, ante 48,16% em 2024/25.
Na Índia, a oferta também apresenta crescimento relevante. A India Sugar Mill Association (ISMA) informou que a produção de açúcar do país entre 1º de outubro e 15 de janeiro da safra 2025/26 somou 15,9 milhões de toneladas, alta de 22% em relação ao mesmo período do ciclo anterior. Em novembro, a associação revisou para cima sua estimativa de produção total da Índia na safra 2025/26, elevando a projeção de 30 milhões para 31 milhões de toneladas, crescimento de 18,8% na comparação anual.
Ao mesmo tempo, a ISMA reduziu sua estimativa de açúcar destinado à produção de etanol no país. A projeção foi ajustada de 5 milhões de toneladas, estimadas em julho, para 3,4 milhões de toneladas, o que amplia a disponibilidade de açúcar para exportação. A Índia é atualmente o segundo maior produtor mundial da commodity.
O mercado também acompanha a possibilidade de aumento das exportações indianas. Os preços do açúcar vêm sendo pressionados diante da expectativa de que o governo do país autorize volumes adicionais de embarques externos, como forma de reduzir o excesso de oferta no mercado doméstico. Segundo declarações do secretário de Alimentos da Índia, o governo avalia permitir novas exportações para aliviar o acúmulo interno. Em novembro, o Ministério da Alimentação do país já havia autorizado a exportação de 1,5 milhão de toneladas de açúcar na safra 2025/26. A Índia adotou um sistema de cotas para exportação a partir da safra 2022/23, após chuvas tardias reduzirem a produção e limitarem a oferta doméstica naquele período.
No cenário global, a perspectiva de superávit reforça o viés baixista para os preços. A Covrig Analytics revisou, em 12 de dezembro, sua estimativa de excedente global de açúcar na safra 2025/26 para 4,7 milhões de toneladas, acima dos 4,1 milhões projetados em outubro. Para a safra 2026/27, no entanto, a consultoria prevê redução do superávit global para 1,4 milhão de toneladas, diante da expectativa de que preços mais baixos desestimulem a produção.