Perfil moderno, maior longevidade dos canaviais e avanço da mecanização impulsionam adoção de variedades IAC, que atinge 16,3% da intenção de plantio em 2025/26
A participação das variedades desenvolvidas pelo Instituto Agronômico (IAC) no plantio de cana-de-açúcar do Centro-Sul mais do que quadruplicou ao longo das últimas oito safras. Segundo dados de intenção de plantio, essas variedades avançaram de cerca de 3,8% em 2018/19 para 16,3% na safra 2025/26, movimento que reflete mudanças estruturais na forma como o setor sucroenergético tem conduzido o planejamento varietal.
De acordo com Rubens Braga Junior, pesquisador do IAC, o crescimento mais acelerado observado nas últimas safras está diretamente ligado ao perfil das novas variedades disponibilizadas ao mercado. “As novas variedades IAC, além de serem muito produtivas, têm um perfil moderno, com porte ereto e alto perfilhamento”, afirma. Segundo ele, essas características facilitam a mecanização e contribuem para o aumento da longevidade dos canaviais, fatores que impulsionaram a adoção dos materiais.
Na avaliação do pesquisador, o avanço da participação das variedades IAC indica uma mudança clara na percepção dos produtores ao longo da última década. “Nos últimos dez anos, o setor sucroenergético passou a dar mais importância para essas características”, explica.
Ainda de acordo com o pesquisador, os indicadores como o índice de tombamento e o índice de perfilhamento varietal melhoraram de forma consistente na região Centro-Sul, refletindo uma valorização crescente desses atributos no campo. Segundo o pesquisador, as variedades do IAC vêm sendo selecionadas com foco nessas características há mais de 30 anos.
O crescimento também está associado a um ambiente de maior diversificação varietal. Segundo o pesquisador, “o índice de concentração varietal nas áreas de renovação da região Centro-Sul, na safra 2025/26, foi o menor da média histórica de mais de 30 anos”. Esse movimento mostra que os produtores passaram a diversificar o uso das variedades e a adotar materiais mais modernos de forma mais ágil, o que favoreceu a expansão das variedades IAC.
Entre os atributos determinantes para essa maior aceitação, Braga Junior ressalta o conjunto de características agronômicas avaliadas pelo programa de melhoramento. “Todas essas características são muito importantes, mas o diferencial das nossas variedades está em não tombarem, apesar do alto número de colmos por touceira”, afirma. Esse comportamento, segundo ele, garante resultados mais consistentes ao longo dos cortes, aumentando a eficiência produtiva dos canaviais.
A adoção das variedades IAC ocorre em todas as grandes regiões produtoras do Centro-Sul, mas com maior intensidade em algumas áreas. Considerando a intenção de plantio entre abril de 2025 e março de 2026, as maiores participações estão no Estado do Mato Grosso, onde 49% das áreas devem ser ocupadas por variedades IAC, seguido pela região de Ribeirão Preto, com 41%, Goiás, com 33%, e Minas Gerais, com 23%.

Em um cenário de maior variabilidade climática, o pesquisador avalia que as variedades IAC também passaram a ser vistas como uma ferramenta de mitigação de risco. “O alto perfilhamento das variedades IAC é decisivo para garantir a longevidade do canavial e, com isso, propiciar a sustentabilidade da empresa”, afirma. Segundo ele, canaviais mais longevos reduzem custos e impulsionam a lucratividade ao longo do ciclo produtivo.
O avanço das áreas plantadas também evidencia uma mudança no comportamento dos produtores em relação à diversificação do portfólio varietal. “Os produtores perceberam a necessidade da diversificação varietal nos últimos anos”, afirma Braga Junior. O índice de concentração varietal apresentou redução constante nas últimas onze safras, movimento facilitado pelo surgimento de novas variedades mais produtivas e adaptáveis.
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Esse crescimento, segundo o pesquisador, impõe novos desafios ao Instituto Agronômico. “Em função do grande aumento do número de empresas parceiras, hoje próximo de 200, o Programa Cana IAC tem aumentado a sua equipe de profissionais de campo”, explica. O objetivo, segundo ele, é atender de forma eficiente as demandas dos produtores, tanto na área de assistência técnica quanto na condução de experimentos.
Apesar do avanço recente, Braga Junior destaca que o desenvolvimento de novas variedades precisa ser contínuo. “O melhoramento no Programa Cana IAC é contínuo. Todos os anos um grande número de materiais é testado em 14 polos de experimentação distribuídos pelo país, com foco em variedades cada vez mais produtivas, modernas e livres de doenças. O Programa Cana IAC está se tornando um player cada vez mais importante para o setor sucroenergético. As empresas produtoras que desejarem obter os melhores resultados precisam testar e adotar as novas variedades IAC”, conclui.
Natália Cherubin para RPAnews