A Raízen informou adesão inicial de credores que representam mais de 47% das dívidas financeiras quirografárias e afirma que operações seguem normalmente
A Raízen, maior grupo sucroenergético brasileiro, protocolou na quarta-feira (11), na Comarca da Capital de São Paulo, um pedido de recuperação extrajudicial com o objetivo de viabilizar a reestruturação de aproximadamente R$ 65,1 bilhões em dívidas financeiras quirografárias do grupo. A informação foi divulgada pela companhia em fato relevante ao mercado assinado por Lorival Nogueira Luz Jr, CFO e Diretor de Relações com Investidores da Raízen.
Segundo a empresa, o processo foi estruturado de forma consensual entre a Raízen e seus principais credores financeiros, que assinaram o Plano de Recuperação Extrajudicial. A iniciativa busca criar um ambiente jurídico estável e protegido para conduzir a negociação e a implementação da reestruturação das obrigações financeiras da companhia.
De acordo com a nota da Raizen, na data do protocolo a empresa já contava com adesão expressa de credores titulares de mais de 47% das dívidas financeiras quirografárias, percentual suficiente para o ajuizamento do pedido de recuperação extrajudicial e que demonstra apoio relevante dos credores ao processo de reestruturação.
Nos termos da legislação aplicável, a empresa terá prazo de 90 dias, contados a partir do processamento da recuperação extrajudicial, para alcançar o percentual mínimo necessário à homologação do plano, o que permitirá a vinculação de 100% dos créditos sujeitos às novas condições de pagamento previstas na proposta.
Plano pode envolver capitalização, conversão de dívida em ações e venda de ativos
Conforme detalhado pela Raízen, o plano de recuperação extrajudicial poderá envolver diferentes medidas de reestruturação financeira.
Entre as alternativas previstas estão a capitalização da Raízen por seus acionistas, a conversão de parte das dívidas em participação acionária na companhia, a substituição de parte dos créditos por novas dívidas, além de reorganizações societárias destinadas à segregação de parte dos negócios atualmente conduzidos pelo grupo.
O plano também prevê a possibilidade de venda de ativos como parte das medidas destinadas a reorganizar a estrutura financeira da empresa.
Segundo a companhia, essas iniciativas já haviam sido mencionadas no fato relevante divulgado em 4 de março de 2026, que tratou das alternativas em avaliação para a reestruturação financeira do grupo.
Escopo da recuperação é limitado a dívidas financeiras
A Raízen ressaltou que a recuperação extrajudicial possui escopo estritamente financeiro, voltado apenas à renegociação das dívidas incluídas no plano.
De acordo com a empresa, não serão abrangidas as obrigações com clientes, fornecedores, revendedores e demais parceiros comerciais, consideradas essenciais para a continuidade das operações, que continuarão sendo cumpridas normalmente conforme os contratos vigentes.
No comunicado ao mercado, a companhia afirmou ainda que as operações do Grupo Raízen seguem sendo conduzidas normalmente, tanto no atendimento a clientes quanto na relação com fornecedores e na execução dos planos de negócios. Além disso, reforçou que continuará mantendo seus acionistas e o mercado informados sobre eventuais desdobramentos relevantes relacionados ao processo de recuperação extrajudicial.
Natália Cherubin para RPAnews