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Raízen deixa Ibovespa após pedido de recuperação extrajudicial

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Sucroenergética anunciou acordo com credores na última quarta-feira, 11

O GPA (Grupo Pão de Açúcar) e a Raízen foram retirados do Ibovespa e dos demais índices da B3, confirmou a companhia organizadora da bolsa brasileira nesta segunda-feira, 16.

A retirada da listagem dos papéis das companhias vem após ambas terem anunciado processos de recuperação extrajudicial. O GPA anunciou seu acordo com credores na terça-feira, 10, e a Raízen na quarta, 11.

Segundo a B3, a retirada dos papéis dos índices segue os termos do manual de definições e procedimentos dos índices da bolsa brasileira.

No caso do GPA, os papéis passaram a ser negociados sob o título de “recuperação extrajudicial” no dia 11; já os da Raízen, em 12 de março.

Os títulos foram excluídos dos índices em que estavam listados ao seu preço de fechamento após o encerramento do pregão regular dos dias citados, e foram “redistribuídas proporcionalmente aos demais integrantes da carteira com o pertinente ajuste nos redutores”.

Desse modo, a carteira teórica do Ibovespa passa a contar com 83 ativos.

Recuperação extrajudicial

O processo é menos amplo que a recuperação judicial tradicional, podendo ser focado em uma classe específica de dívidas e tendo menor envolvimento da justiça no decorrer do processo.

Ao longo dos últimos 20 anos, foram registrados 288 casos de recuperação extrajudicial, segundo levantamento do Observatório Brasileiro de Recuperação Extrajudicial (OBRE). Só em 2025, um recorde de 78 processos do tipo foi anunciado. Este ano já são sete.

Ambos os casos da última semana figuram entre as dez maiores recuperações extrajudiciais da história.

GPA

De acordo com fato relevante do varejista, o plano abrange determinadas obrigações de pagamento sem garantia que não constituem obrigações correntes ou operacionais da companhia, no montante total de aproximadamente R$ 4,5 bilhões.

“Ficam expressamente excluídas obrigações correntes junto a fornecedores, parceiros e clientes, bem como obrigações trabalhistas, que não serão afetadas”, afirmou a empresa.

O acordo teve autorização unânime do conselho de administração. Segundo o GPA, operações de lojas deverão seguir funcionando normalmente.

Raízen

No caso da Raízen, o plano envolve a renegociação de aproximadamente R$ 65,1 bilhões em obrigações, além de créditos intercompany (ou, como chamou a companhia, “créditos sujeitos”).

Ao se debruçar sobre o plano apresentado pela empresa à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), e somando estes aos outros R$ 65,1 bilhões, a dívida da companhia pode chegar a R$ 98,63 bilhões, segundo o OBRE.

A medida foi apresentada em conjunto com determinadas controladas e tem como objetivo viabilizar a reestruturação de dívidas financeiras quirografárias do grupo. De acordo com a companhia, o processo foi estruturado de forma consensual com seus principais credores financeiros.

Segundo a empresa, credores que representam mais de 47% das dívidas financeiras quirografárias já aderiram ao plano de recuperação extrajudicial.

Com o processamento da recuperação, o grupo tem um standstill de 90 dias – prazo em que há suspensão temporária do pagamento de juros – para alcançar o percentual mínimo necessário para a homologação judicial do plano, o que possibilitará a vinculação de 100% dos “créditos sujeitos” a novos termos e condições de pagamento a serem definidos.

São apresentados dois caminhos para esses “créditos sujeitos” no fato relevante, de modo que o plano poderá envolver: a conversão de parte destes créditos em participação acionária na companhia; ou a substituição de parte dos créditos por novas dívidas.

Ademais, o plano prevê a possibilidade de capitalização do grupo por seus acionistas e reorganizações societárias destinadas à segregação de parte dos negócios atualmente conduzidos pelo grupo.

O plano busca dar à empresa um ambiente protegido para preservar caixa, especialmente com a aproximação do início da safra de cana-de-açúcar, período que exige maior capital de giro.

A recuperação extrajudicial suspende apenas o serviço das dívidas financeiras, enquanto os pagamentos a fornecedores seguem normalmente.

CNN| Gabriel Bosa e João Nakamura

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