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Chile anuncia reajuste de até 54% dos combustíveis e provoca corrida aos postos

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Aumento foi anunciado pelo governo do presidente José Antonio Kast, recém-empossado, diante da disparada do petróleo; decisão também provoca aumento das expectativas de inflação

O governo do Chile vai elevou os preços dos combustíveis em até 54% na quinta-feira, 26, alimentando expectativas de uma forte alta da inflação e provocando uma onda de compras antecipadas em postos de gasolina em todo o país.

O governo liberou um aumento nos preços dos combustíveis. Depois disso, o mecanismo de estabilização, voltará a operar normalmente, disse o ministro da Fazenda, Jorge Quiroz, em entrevistas exibidas na noite de segunda-feira, 23.

“Sei que são medidas difíceis”, afirmou Quiroz à Chilevisión. “Gostaria de atender a todas as necessidades, todas, mas não podemos. Precisamos dizer a verdade”.

O anúncio em horário nobre ocorreu antes da reunião do Banco Central na terça-feira, na qual os formuladores de política monetária adiaram um corte de juros esperado, diante da disparada dos custos de energia.

Após meses projetando mais uma redução no Chile, o mercado agora precifica uma alta de 0,25 ponto percentual nos próximos três meses, aumentando a pressão sobre um crescimento já fraco em um país que importa quase todo o combustível que consome.

Os consumidores começaram a sentir o impacto em 26 de março, quando a alta projetada no preço no atacado da gasolina comum (93 octanas) é de 44%, ou 370 pesos (US$ 0,41) por litro, enquanto a gasolina de maior octanagem (97) tem alta de 41%. O diesel, amplamente usado no transporte pesado, aumentou cerca de 54%, ou 580 pesos por litro.

As expectativas de inflação para um ano subiram mais de 72 pontos-base nesta terça-feira, para 4,73%, bem acima da meta de 3% do Banco Central e no nível mais alto desde abril de 2023.

Mudança de cenário

Com menos de duas semanas no cargo, o anúncio do governo do presidente José Antonio Kast pode desencadear protestos.

“Apesar de termos alertado as autoridades e recomendado uma abordagem gradual para os aumentos de preços, não fomos ouvidos”, afirmou a Confederação Nacional dos Proprietários de Caminhões em comunicado publicado em seu site. A entidade disse que está “avaliando as medidas a serem adotadas”.

Consumidores correram aos postos no fim da segunda-feira e início da terça para abastecer antes da entrada em vigor dos novos preços, aumentando o temor de que eventuais atrasos na reposição possam gerar escassez. Imagens na TV local mostraram pessoas enchendo grandes galões para armazenar combustível.

O Itaú agora projeta alta de 0,87% nos preços ao consumidor em março e de 1,1% em abril, enquanto a corretora Fynsa vê avanço semelhante, de 0,8% neste mês, com gasolina, transporte e educação entre os itens mais pressionados.

O Credicorp estima que a inflação encerrará o ano acima de 4%, na ausência de recuos nos preços dos combustíveis.

“A velocidade do ajuste também deve acelerar o repasse para outros itens do índice de preços ao consumidor, à medida que as tarifas de transporte sobem”, disse o economista-chefe para a América Latina do Itaú, Andres Perez.

“O aumento das pressões de custos, somado à elevada incerteza geopolítica, tende a levar empresas e consumidores a reduzir gastos no curto prazo, consolidando a fraqueza da atividade no início do ano e pressionando para baixo nossa projeção de crescimento de 2,6% do PIB”, disse.

Taxas de swap

As taxas de swap de um ano – um indicador das expectativas de juros – subiram 13,5 pontos-base, a caminho do maior fechamento desde abril. Já as taxas de dois anos avançaram na mesma magnitude. O peso chileno também chegou a cair até 1,3% nesta manhã.

“Em um país altamente indexado e com mercado profundo e líquido de ativos atrelados à inflação, isso deve resultar em fortes valorizações desses títulos e swaps, além de uma queda nos rendimentos nominais. E isso é apenas o começo. O peso recua à medida que operadores ajustam expectativas para inflação mais rápida e crescimento mais lento”, afirmou o estrategista macro da Bloomberg, Sebastian Boyd.

Quiroz detalhou um conjunto de medidas direcionadas para amenizar o impacto em alguns setores, incluindo subsídio mensal em dinheiro para taxistas; congelamento das tarifas de ônibus na capital Santiago e apoio equivalente ao transporte regional; manutenção de preços mais baixos para o querosene, usado por famílias de baixa renda para aquecimento; e crédito facilitado para taxistas converterem veículos para elétricos.

Para ajudar a financiar essas medidas, o governo suspenderá por pelo menos seis meses um benefício fiscal para compras de combustível industrial. A medida afeta diretamente setores como mineração e agricultura, que têm papel central na economia chilena.

“No caso da mineração, a medida é sensível porque eleva diretamente os custos de uma atividade intensiva em diesel, especialmente em minas a céu aberto”, disse o fundador da consultoria chilena Plusmining, Juan Carlos Guajardo. Isso deve “afetar com mais força operações de médio porte ou marginais”.

O governo enviou ao Congresso na terça-feira o projeto que inclui o controle de preços do querosene.

América Latina

Com a disparada do petróleo, o Brasil optou por reduzir impostos sobre combustíveis para aliviar o impacto ao consumidor, em contraste com a abordagem chilena. Antes da guerra, o Equador já havia eliminado subsídios sob o presidente Daniel Noboa, enquanto a Bolívia, sob Rodrigo Paz, vinha promovendo uma retirada gradual desses incentivos.

Quiroz atribuiu ao governo anterior a falta de espaço fiscal para lidar com o choque de preços internacionais. Segundo ele, a atual administração vinha gastando US$ 140 milhões por semana para sustentar o mecanismo de estabilização.

O episódio representa um teste imediato para a capacidade de Kast de reduzir o déficit fiscal sem impor custos excessivos aos consumidores.

Segundo pesquisa da Cadem divulgada no domingo, quase metade dos chilenos acredita que o governo deveria subsidiar o mecanismo de estabilização dos combustíveis, mesmo que isso aumente o déficit fiscal. O mesmo levantamento mostrou queda de 6 pontos percentuais na aprovação de Kast em apenas uma semana, para 51%, ante 57%.

“São medidas duras, e sabemos disso, mas também queremos ajudar as famílias mais vulneráveis e a classe média”, disse Kast a jornalistas em Puerto Montt nesta terça-feira. “O que não podemos fazer é enganar as pessoas. Não podemos comprar popularidade com dinheiro que não temos”.

*Bloomberg

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