Movimento no mercado de energia pressiona etanol e favorece direcionamento da cana para produção de açúcar
Os preços do açúcar encerraram a quarta-feira em forte queda nos mercados internacionais, pressionados pela desvalorização da gasolina e pela mudança no direcionamento da produção nas usinas brasileiras. O contrato julho do açúcar bruto em Nova York caiu 3,64%, enquanto o açúcar branco em Londres recuou 3,32%, atingindo o menor nível em uma semana.
O açúcar bruto para entrega em julho fechou em queda de 0,56 centavo de dólar, ou 3,6%, a 14,81 centavos de dólar por libra-peso. O mercado atingiu uma máxima em um mês na segunda-feira. Por sua vez, o contrato mais ativo do açúcar branco perdeu 3,3%, para US$ 437,20 a tonelada.
A queda de cerca de 4% nos preços da gasolina impactou diretamente o mercado de etanol e, consequentemente, o açúcar. Segundo a Covrig Analytics, o recuo do biocombustível já leva usinas no Brasil a redirecionarem a cana para a produção de açúcar, que atualmente apresenta maior rentabilidade — entre 0,7 e 1 centavo de dólar por libra-peso acima do etanol.
O movimento ocorre após uma sequência recente de alta. Na terça-feira, as cotações do açúcar haviam atingido máximas em cinco semanas, impulsionadas por preocupações com a redução da oferta global. Na sexta-feira anterior, a Green Pool Commodity Specialists elevou sua estimativa de déficit global de açúcar na safra 2026/27 para 4,30 milhões de toneladas, ante 1,66 milhão anteriormente, citando o aumento da produção de etanol em detrimento do açúcar.
Apesar da pressão recente, o mercado segue sensível às oscilações no setor de energia. A alta da gasolina nas semanas anteriores — que chegou ao maior nível em 3,75 anos — havia sustentado os preços do açúcar, ao elevar a atratividade do etanol e incentivar o desvio de cana para o biocombustível, reduzindo a oferta da commodity.
No Brasil, esse ajuste no mix segue como fator-chave para o mercado. Dados divulgados pela Unica indicam que a produção de açúcar no Centro-Sul na primeira quinzena de abril caiu 11,9% na comparação anual, totalizando 647 mil toneladas. No mesmo período, a participação da cana destinada à produção de açúcar recuou para 32,9%, frente a 44,7% no ano anterior.
Já a Conab, em seu primeiro levantamento para a safra 2026/27, projeta queda de 0,5% na produção brasileira de açúcar, estimada em 43,952 milhões de toneladas. Em contrapartida, a produção de etanol deve crescer 7,2% na comparação anual, alcançando 29,259 bilhões de litros.
O cenário reforça a dinâmica atual do mercado, em que oscilações nos preços da energia seguem determinando o direcionamento da cana entre açúcar e etanol, influenciando diretamente a oferta global da commodity.

