Expansão das biorrefinarias amplia demanda por grãos, gera empregos, fortalece a pecuária e impulsiona a produção de energia renovável
Mato Grosso segue consolidando sua posição como principal potência agropecuária do país, impulsionado pela transformação do milho em um dos principais motores econômicos e industriais do estado. A estimativa para 2026 aponta um Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuário de R$ 206 bilhões, equivalente a cerca de 15% de toda a riqueza gerada pelo campo brasileiro. Nesse cenário, o milho já responde por mais de 21% do VBP estadual.
O protagonismo do cereal ganha força com a expansão da indústria de etanol de milho. Atualmente, 13,9 milhões de toneladas do grão produzidas em Mato Grosso são destinadas à fabricação do biocombustível, resultando em uma produção anual de 5,6 bilhões de litros de etanol.
A evolução da cadeia do etanol de milho acompanha o crescimento econômico do estado e tem na Inpasa um de seus principais exemplos. A empresa, considerada a maior biorrefinaria de etanol de grãos da América Latina e a segunda maior do mundo, inaugurou em 2019 sua primeira planta no Brasil, localizada em Sinop (MT). A unidade detém o título de maior biorrefinaria de etanol do planeta, com capacidade para produzir 2 bilhões de litros de biocombustível por ano.
Além disso, a operação abriga o maior armazém estático de grãos do mundo, com capacidade para armazenar 675 mil toneladas em uma única estrutura.
Novos investimentos ampliam capacidade industrial
A Inpasa vem ampliando sua presença em Mato Grosso por meio de um novo ciclo de investimentos. Ao longo de 2025, a companhia destinou R$ 3,8 bilhões para expansão e modernização de suas operações e já iniciou novas obras no estado.
Entre os destaques estão a construção de uma nova unidade industrial em Rondonópolis (MT), que recebeu investimentos de R$ 2,77 bilhões, e a expansão da planta de Nova Mutum (MT), que contou com aportes de R$ 704 milhões.
O avanço da capacidade industrial contribuiu para que a companhia processasse um volume recorde de 11,6 milhões de toneladas de grãos no último ano, alcançando receita líquida de R$ 22,8 bilhões, crescimento de 67% na comparação com o período anterior.
Expansão da indústria fortalece emprego e pecuária
A industrialização do milho também vem gerando impactos diretos sobre o mercado de trabalho e a economia regional. O agronegócio mais do que dobrou sua força de trabalho em Mato Grosso nas últimas duas décadas e a projeção para 2026 é de que o setor empregue 449 mil trabalhadores.
Somente nos dois primeiros meses deste ano, o agro mato-grossense gerou mais de 9 mil novas vagas formais.
Além da geração de empregos e energia renovável, a expansão das usinas de etanol fortalece a pecuária bovina, atividade que representa 18% do Valor Bruto da Produção agropecuária do estado.
Em 2025, as usinas instaladas em Mato Grosso produziram 2,7 milhões de toneladas de DDG. Já a Inpasa possui capacidade instalada para produzir 3,5 milhões de toneladas de DDGS por ano, fornecendo matéria-prima para diferentes mercados, incluindo segmentos premium da pecuária internacional.
Etanol, energia limpa e produção de SAF
A expansão da indústria de etanol de milho também está associada ao avanço de soluções voltadas à transição energética.
A Inpasa possui certificação internacional ISCC CORSIA, que habilita suas unidades a fornecer etanol e TCO como matérias-primas para a produção de combustível sustentável de aviação (SAF).
Segundo a companhia, a operação reduziu em 59% a intensidade de suas emissões de gases de efeito estufa em relação ao ano-base de 2021. Atualmente, 99% das emissões diretas dos escopos 1 e 2 têm origem biogênica.
A matriz energética do grupo é abastecida majoritariamente por biomassa e energia solar. Como resultado, a empresa exportou 1,58 milhão de GJ de energia limpa para o Sistema Interligado Nacional (SIN) em 2025.
Para Flávio Peruzo, vice-presidente de Negócios de Originação da Inpasa, a integração entre agricultura e indústria tem sido fundamental para transformar o potencial produtivo de Mato Grosso em desenvolvimento econômico e energético.
“O agro mato-grossense demonstra uma capacidade única de crescer com sustentabilidade e tecnologia. O papel da Inpasa é o de transformar esse enorme potencial agrícola em desenvolvimento socioeconômico e transição energética na ponta. Por meio do nosso modelo integrado Food + Fuel, nós mitigamos o dilema entre alimento e combustível. A partir do milho safrinha, geramos simultaneamente bioenergia e farelo de alta proteína para a cadeia de carne, mostrando que onde o agro e a indústria chegam de forma integrada, há pleno emprego, inovação e geração de valor de ponta a ponta”, destacou.



