Queda nas importações de ureia, MAP e nitrato de amônio pode pressionar preços e dificultar entregas, avaliam especialistas
Os produtores rurais devem acompanhar de perto o mercado de fertilizantes e evitar concentrar as compras nos próximos meses para reduzir o risco de problemas de abastecimento. O alerta foi feito por especialistas durante o Conexão SCA Brasil, realizado nesta quinta-feira (30), que discutiu os impactos da geopolítica, da logística internacional e do ritmo das importações sobre o mercado brasileiro.
Segundo Marcelo Soto, Head de Operações e Inteligência de Suprimentos da SCA Brasil Aliança, embora o Brasil tenha ampliado a diversificação de países fornecedores, o volume de importações segue abaixo do esperado para esta época do ano. Na avaliação do especialista, a postergação das compras pode provocar uma concentração da demanda, pressionando tanto a logística portuária quanto a capacidade das misturadoras de fertilizantes de atender aos pedidos dentro do prazo.
“Quando um grande número de compradores entra ao mesmo tempo em busca dos mesmos produtos, a oferta se torna mais restrita, os fornecedores ampliam suas margens e cresce o risco de atrasos nas entregas.”
Soto destaca que a preocupação é maior para culturas como soja e milho, grandes consumidoras de fertilizantes nitrogenados, fosfatados e potássicos. Segundo ele, caso as aquisições avancem de forma concentrada, além da alta dos preços, produtores poderão enfrentar dificuldades para encontrar alguns produtos disponíveis no mercado.
Dados apresentados durante o evento mostram que, entre janeiro e julho de 2026, as importações caíram 32% para ureia, 24% para MAP e 43% para nitrato de amônio, na comparação com o mesmo período do ano passado.
“Entregas imediatas de nitrato podem ser um problema, e isso traz bastante insegurança para o mercado, se todo mundo decidir comprar ao mesmo tempo. Isso reforça a necessidade de acompanhamento constante do mercado e de planejamento das aquisições.”
Geopolítica mantém mercado em alerta
A especialista em precificação de agricultura e fertilizantes da Argus Media, Renata Cardarelli, afirmou que parte dos riscos geopolíticos já foi incorporada aos preços, mas ressaltou que os fertilizantes nitrogenados continuam altamente sensíveis a mudanças no cenário internacional.
“A ureia é um dos produtos mais voláteis do mercado. Em momentos de maior tensão internacional, os preços podem subir rapidamente, assim como recuar em curto espaço de tempo. Ainda assim, o cenário atual aponta para uma tendência de preços firmes.”
Segundo a especialista, além dos conflitos no Oriente Médio e da guerra na Ucrânia, fatores como os leilões de compra realizados pela Índia, as políticas de exportação da China e a redução da oferta por grandes produtores continuam influenciando a formação dos preços internacionais.
Renata também destacou que qualquer restrição ao fluxo de cargas pelo Estreito de Ormuz pode provocar impactos imediatos sobre os fretes, a disponibilidade de produtos e os custos de importação para países dependentes do mercado externo, como o Brasil.
Planejamento é a principal recomendação
Diante desse cenário, os especialistas recomendam que os produtores substituam decisões baseadas apenas na expectativa de queda de preços por uma estratégia de planejamento das compras, acompanhando indicadores de mercado, relações de troca e a disponibilidade de produtos.
“O melhor momento para comprar fertilizantes não depende apenas da cotação do dia, mas da combinação entre planejamento, disponibilidade do produto e gestão de riscos”, concluiu Marcelo Soto.
