Projeto desenvolvido com Rumo, Necta e Transvale utilizará caminhões movidos a gás natural e biometano integrados ao transporte ferroviário para movimentar 350 mil toneladas de açúcar por ano.
A São Martinho anunciou nesta semana o lançamento do projeto Rota Verde, uma operação multimodal para o transporte de açúcar que combinará caminhões movidos a gás natural e biometano com o modal ferroviário. Desenvolvida em parceria com a Rumo, Necta e Transvale, a iniciativa prevê o transporte de cerca de 350 mil toneladas de açúcar por ano da Unidade Santa Cruz, em Américo Brasiliense (SP), ao Porto de Santos, com potencial de reduzir em até 87% as emissões de gases de efeito estufa em comparação ao transporte convencional movido a diesel.
A operação terá início em maio de 2026 e utilizará, inicialmente, veículos movidos a gás natural, com migração gradual para o uso integral de biometano na frota responsável pelo transporte do açúcar. Os caminhões, equipados com tecnologia Scania G460 Gás, farão o trajeto até o terminal de transbordo da Rumo, em Itirapina (SP), de onde a carga seguirá por ferrovia até o Porto de Santos.
Um dos diferenciais do projeto é a utilização do excedente de biometano produzido pela própria São Martinho em sua unidade de Américo Brasiliense. A planta, que entrou em operação em agosto de 2025, recebeu investimentos de R$ 250 milhões e reforça a estratégia da companhia de ampliar o uso de combustíveis renováveis em suas operações.
De acordo com a São Martinho, a nova logística deverá aumentar em até 20% a produtividade da operação, além de reduzir custos e o tempo médio de transporte. Estudo de Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia aponta que o modelo poderá reduzir as emissões de gases de efeito estufa em até 87% em relação aos veículos convencionais movidos a diesel.
“O Rota Verde marca um avanço significativo na integração entre eficiência logística e responsabilidade ambiental. Com essa iniciativa, conectamos inovação e sustentabilidade, reduzindo emissões e aproveitando recursos renováveis como o biometano”, afirmou Helder Gosling, diretor Comercial e de Logística da São Martinho.
A operação será conduzida pela Transvale até março de 2030. Segundo a transportadora, o investimento inicial é estimado em R$ 15 milhões, com a utilização de 10 conjuntos rodotrem caçamba de 47 toneladas, operando 24 horas por dia, 26 dias por mês, durante dez meses por ano.
Para José Eduardo Moreira, CEO da Necta, o projeto demonstra que é possível combinar sustentabilidade e competitividade econômica. Já Altamir Perottoni Junior, vice-presidente Comercial da Rumo, destacou a complementaridade entre os modais ferroviário e rodoviário sustentável como um caminho relevante para a descarbonização da logística brasileira.
Segundo a companhia, o Rota Verde está alinhado às metas de descarbonização e à estratégia ESG da São Martinho, reforçando o papel do biometano e da integração logística na transição para uma economia de baixo carbono.



