Meteorologistas já dão como certa a confirmação do El Niño nas próximas semanas. Eles afirmam que a região do Pacífico Equatorial já está com temperatura acima do normal, indicando a formação do fenômeno climático, e que os sistemas de monitoramento apontam a probabilidade de uma ocorrência de “forte” a “muito forte”.
“Atualmente, não há dúvida de que o El Niño vai se formar novamente e seu início oficial provavelmente será durante o mês de junho de 2026”, afirma a meteorologista Josélia Pegorim, da Climatempo, em boletim sobre o fenômeno.
Pegorim destaca que, em maio, a temperatura na superfície da água no Pacífico Equatorial está meio grau acima dos níveis normais – é o mínimo para começar a se falar em El Niño. A consolidação do fenômeno climático depende da manutenção desse aquecimento nas próximas semanas, o que é esperado.
A meteorologista da Climatempo explica que o aquecimento na região deve se intensificar até setembro, caracterizando um El Niño “muito forte”. No entanto, essa projeção ainda pode mudar.
Neste momento, as projeções da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) indicam uma probabilidade cada vez maior de uma condição mais extrema.
Um El Niño muito forte ocorre quando a temperatura fica pelo menos dois graus mais quente que o normal no Pacífico Equatorial. Os dados da NOAA apontam que, entre julho e setembro, há 1% de probabilidade de acontecer. Outros 17% são de ocorrência forte e 48% moderada.
Para o período entre setembro, outubro e novembro, as probabilidades são de 22% para muito forte, 35% forte e 30% moderado. Para o trimestre entre outubro e dezembro, a probabilidade de El Niño muito forte sobe para 33%; forte cai para 32% e moderado cai para 24%.
“A previsão de um El Niño moderado diminui até o fim deste ano e de El Niño forte cresce até setembro, primavera de 2026. Mas a probabilidade de um El Niño muito forte só aumenta”, pontua Josélia Pegorim, em publicação no site da Climatempo.
Na visão da meteorologista, não há dúvida de que o clima no Brasil terá influência de um El Niño forte na primavera deste ano. E, ainda que não seja certa uma evolução para “muito forte”, a condição já merece atenção. Um fenômeno “forte” aumenta o risco de tempestades no Sul do país.
El Niño pode trazer surpresas
Também em análise divulgada em seu site, a MetSul Meteorologia ressalta que o El Niño de 2026/27 será diferente do anterior e pode apresentar surpresas em seus efeitos sobre o clima no Brasil. Os meteorologistas Estael Sias e Luiz Nachtigall indicam a possibilidade de ocorrerem mais chuva do que o que costuma cair em situações típicas.
“Ao contrário do El Niño de 2023/24, a chuva pode surpreender nos próximos meses em diversas áreas do Sudeste e do Centro-Oeste do país, com precipitação acima ou até muito acima da média em alguns estados, especialmente Mato Grosso do Sul e São Paulo”, afirmam os meteorologistas.
O que surpreende, afirmam, é que essas chuvas podem ocorrer exatamente durante a temporada seca, com níveis acima ou muito acima do que seria normal.
“Diferentemente de áreas mais ao Sul do país, que não possuem temporadas chuvosa ou seca com precipitação bem distribuída ao longo do ano, o Centro-oeste e o Sudeste do Brasil possuem períodos no ano que são secos e chuvosos, duas temporadas em que o regime de precipitação contrasta”, explicam.
Já o Sul do Brasil deve sofrer os efeitos considerados tradicionais do El Niño, afirmam os meteorologistas da MetSul. Ao longo dos próximos meses, a tendência é a de chover chuva acima ou muito acima da média, com possíveis cheias de rios e até mesmo enchentes em algumas áreas.
A chuva já deve começar a aumentar entre os próximos 30 a 45 dias no Sul do Brasil. E se intensificar ainda mais ao longo do segundo semestre. O Paraná deve ser o primeiro a ver essas mudanças, seguido pelo demais estados da região.
“No decorrer do segundo semestre, sobretudo na segunda metade do inverno e durante a primavera, a chuva tende a aumentar muito em Santa Catarina e Rio Grande do Sul, com risco alto de episódios de chuva excessiva e extrema”, avaliam.
Globo Rural| Raphael Salomão



