Mercado reage a projeções mais baixas para a safra brasileira, avanço do mix para etanol e riscos climáticos associados ao El Niño na Ásia
Os preços do açúcar fecharam em alta nesta segunda-feira diante das preocupações do mercado com um cenário de oferta global mais apertada, em meio à expectativa de menor produção no Brasil, avanço do direcionamento da cana para etanol e riscos climáticos associados ao fenômeno El Niño em importantes produtores asiáticos.
O contrato do açúcar bruto com vencimento em julho negociado em Nova York avançou 0,22 centavo de dólar, ou 1,5%, encerrando a sessão cotado a 14,89 centavos de dólar por libra-peso. Em Londres, o contrato do açúcar branco para agosto subiu 1,23%, fechando a US$ 435,10 por tonelada.
Segundo análise do Citigroup, a produção brasileira de açúcar na safra 2026/27 pode atingir 39,5 milhões de toneladas, volume significativamente abaixo da estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que projeta produção de 43,95 milhões de toneladas.
De acordo com o banco, o movimento reflete a decisão de usinas brasileiras de ampliar o direcionamento da cana-de-açúcar para a produção de etanol diante da alta nos preços da gasolina no mercado doméstico.
O Citigroup também destacou preocupação com a possível formação de um forte evento de El Niño ao longo deste ano, cenário que, segundo o banco, pode ter “impacto significativo” sobre a produção de açúcar na Índia e na Tailândia nos próximos seis a 12 meses.
Os dados mais recentes da safra brasileira também seguem no radar do mercado. Em relatório divulgado em 30 de abril, a Unica informou que a produção de açúcar do Centro-Sul na primeira quinzena de abril da safra 2026/27 caiu 11,9% na comparação anual, totalizando 647 mil toneladas.
Segundo a entidade, as usinas reduziram significativamente o mix açucareiro no período, destinando 32,9% da cana para produção de açúcar, ante 44,7% registrados no mesmo período da safra anterior.
A Conab também reforçou a percepção de menor crescimento da produção brasileira. Em seu primeiro levantamento para a safra 2026/27, divulgado em 28 de abril, a companhia projetou queda de 0,5% na produção nacional de açúcar, para 43,952 milhões de toneladas.
Por outro lado, a estatal estima crescimento de 7,2% na produção de etanol, que deve atingir 29,259 bilhões de litros no ciclo 2026/27.
Em relatório divulgado em 21 de abril, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) também reduziu sua projeção para a produção brasileira de açúcar, estimando volume de 42,5 milhões de toneladas, queda de 3% frente à safra anterior. Segundo o órgão, o movimento reflete o maior direcionamento da cana para etanol.
O mercado também encontrou suporte adicional nas preocupações com possíveis interrupções logísticas relacionadas ao fechamento do Estreito de Ormuz. Segundo a consultoria Covrig Analytics, a paralisação da rota marítima afetou cerca de 6% do comércio global de açúcar, restringindo a oferta de açúcar refinado no mercado internacional.
Com informações da Barchart


