O setor canavieiro brasileiro vive um momento de grandes oportunidades, mas também de desafios complexos. Atualmente, as expectativas de produtividade para a safra de cana-de-açúcar são bastante positivas, impulsionadas por um clima que colaborou para o desenvolvimento da cultura, com perspectivas especialmente interessantes no Centro-Sul. Somente em São Paulo, responsável historicamente por cerca de 50% da produção nacional, a estimativa é de uma safra estadual de 337,9 milhões de toneladas de cana‑de‑açúcar, conforme aponta a Conab.
Contudo, o produtor rural deve estar atento ao atual e instável cenário externo. Tensões geopolíticas e conflitos internacionais impactam diretamente a cadeia de suprimentos e os custos logísticos dos fertilizantes importados, exigindo planejamento e cautela. Vale lembrar que o país importa cerca de 85% dos fertilizantes que consome. Por isso, é bastante importante zelar pela produtividade e pela boa relação custo-benefício por meio de fertilizante de alta eficiência, insumo indispensável para alavancar os índices de produtividade no campo.
Diante desse contexto, a diferença entre o lucro e o prejuízo está na capacidade de gestão e na adoção de tecnologias que permitam ao produtor “fazer mais com menos”. Na cultura da cana-de-açúcar, a rentabilidade não se constrói apenas com uma colheita recorde, mas com a capacidade de sustentar altas produtividades ao longo do tempo. E a chave para isso é o prolongamento da longevidade da soqueira, uma estratégia fundamental para diluir custos, evitar a necessidade de reformas anuais onerosas e garantir o retorno sobre o investimento.
Para que a planta mantenha seu vigor, ciclo após ciclo, o manejo nutricional combinado torna-se o principal aliado do agricultor. Uma nutrição de alta performance e moderna deve buscar entregar à planta a proporção de nutrientes que ela exporta durante o seu desenvolvimento. E em alguns casos, dependendo da necessidade, corrigir o que falta mediante diagnóstico nutricional da análise de solo. Ou seja, significa fornecer macronutrientes e micronutrientes em um equilíbrio ideal.
Do ponto de vista fisiológico, os insumos utilizados precisam entregar uma fonte rica em nutrientes, como nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio, magnésio, zinco em proporções balanceadas, para garantir que a planta tenha energia para desenvolver um sistema radicular mais robusto e profundo, permitindo que a cana ganhe peso e altura melhorando a produtividade e longevidade. No manejo, garantir a alta disponibilidade e uniformidade de distribuição na aplicação do fertilizante também fazem diferença para a planta expressar todo o seu potencial em cada ambiente de produção.
Quando o produtor adota esse nível de precisão, por meio de formulações que garantem melhor eficiência e absorção dos nutrientes, os resultados são visíveis. Um canavial com nutrição balanceada apresenta maior número de perfilhos, vigor, biomassa, e aumento na altura e no diâmetro dos colmos, que se refletem em dois indicadores fundamentais para a rentabilidade: o incremento do TCH (toneladas de cana por hectare) e a maximização do ATR (açúcar total recuperável).
A agricultura é uma atividade cíclica, que exige olhar para os próximos anos enquanto se colhe a safra atual. Em um mercado globalizado e altamente competitivo, investir em uma nutrição de solo tecnológica, combinada e equilibrada, apoiada por uma sólida assistência técnica agronômica, passou a ser uma necessidade. Cabe ainda atenção para dirimir riscos de fatores abióticos, atuando proativamente com uso de bioinsumos, via solo ou foliar, permitindo que a cana expresse o seu máximo potencial produtivo. Construir um canavial resiliente e longevo, protegendo as margens de lucro, requer, cada vez mais, um solo bem nutrido e um manejo de excelência.

*Paulo Yvan, diretor de vendas Sudeste/Nordeste da Yara Brasil


