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Eletrificação dobrará desvio da demanda de combustíveis em quatro anos, prevê StoneX

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O volume dos combustíveis do ciclo Otto desviados com o avanço da eletrificação da frota no Brasil vai praticamente dobrar entre 2026 e 2030, para 1,3 bilhão de litros, colaborando para uma desaceleração do crescimento da demanda de etanol e gasolina, avaliou a consultoria StoneX em estudo antecipado à Reuters.

O total desviado de combustíveis do ciclo Otto (gasolina e etanol), contudo, ainda seria relativamente pequeno perto do consumo total no Brasil, estimado em 51 bilhões de litros (em gasolina equivalente) em 2026, segundo a consultoria.

O cálculo considera que a frota eletrificada deve chegar a 1,7 milhão de veículos em 2030, representando até 4,7% da frota total naquele ano (excluindo-se aqueles a diesel). O estudo pondera a participação de veículos híbridos e a parcela de carros elétricos que efetivamente não consome combustíveis líquidos.

A StoneX projeta também que a frota eletrificada mais que triplicaria em relação aos cerca de 510 mil veículos de 2025, quando a participação dos elétricos foi de apenas 1,5%.

O salto na fatia dos elétricos na frota, mesmo assim, não seria suficiente para gerar uma redução de demanda de etanol e gasolina, segundo a análise.

“Ainda que a trajetória de crescimento dos eletrificados se confirme, o peso desse segmento na frota circulante total permanecerá reduzindo ao longo de toda a década”, afirmou a analista Letícia Corrêa, uma das autoras do trabalho.

Conforme dados citados no trabalho, os emplacamentos de veículos de ciclo Otto (gasolina e etanol) devem recuar de 85% em 2021 para 74% em 2026.

Ainda assim, ela lembrou ainda que a renovação da frota é lenta, com taxa de sucateamento anual de 2% a 4%, o que indica que os veículos do ciclo Otto vendidos na última década tendem a estar ativos em 2030.

“O crescimento acelerado nos emplacamentos, portanto, não se traduz em substituição equivalente na frota em uso”, comentou, destacando que o aumento dos eletrificados é bastante concentrado no Sudeste e no Sul.

Para a analista Isabela Garcia, que também assina o trabalho, o cenário indica que a demanda por combustíveis leves deve seguir crescendo, “com o padrão de eletrificação projetado não determinando um pico de consumo no médio prazo”.

Ela chamou a atenção também para as vendas de veículos híbridos, que ainda demandam combustíveis líquidos. “Dessa forma, o impacto sobre a demanda do ciclo Otto se comporta como uma compressão gradual, não como uma ruptura da tendência da demanda observada até então”, disse Garcia.

Reuters| Roberto Samora

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