Açúcar bruto recua em Nova York, enquanto açúcar branco avança em Londres; mercado acompanha oferta global e riscos climáticos
Os contratos futuros do açúcar encerraram o pregão desta quinta-feira sem direção definida nas bolsas internacionais. O açúcar bruto com vencimento em julho, negociado em Nova York, fechou cotado a 14,34 centavos de dólar por libra-peso, queda de 0,45%. Já o açúcar branco com vencimento em agosto, negociado em Londres, encerrou a sessão a US$ 447,40 por tonelada, alta de 0,54%. As informações são da Barchart.
Segundo a análise, a força do dólar pesou sobre as cotações da commodity. O índice DXY atingiu o maior patamar dos últimos dois meses, reduzindo a atratividade do açúcar para compradores internacionais.
As perdas, no entanto, foram parcialmente limitadas após a trading Czarnikow revisar sua projeção para o balanço global de açúcar da safra 2026/27. A empresa reduziu sua estimativa de um superávit de 1,4 milhão de toneladas para um déficit de 10 mil toneladas, citando a possibilidade de as usinas brasileiras destinarem mais cana para a produção de etanol diante da valorização do petróleo.
Apesar desse fator de sustentação, o mercado continua avaliando um cenário de ampla oferta global. No Brasil, a Unica informou que a produção de açúcar na região Centro-Sul alcançou 2,475 milhões de toneladas em abril, volume 55,3% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior. O teor de sacarose da cana processada também avançou 5,4%, atingindo 112,58 quilos por tonelada.
Outro fator de pressão sobre os preços é o desempenho das exportações da Tailândia. Entre janeiro e abril, os embarques do país cresceram 29% na comparação anual, totalizando 1,6 milhão de toneladas.
Por outro lado, o mercado segue monitorando os riscos climáticos associados ao fenômeno El Niño. A Agência Meteorológica do Japão confirmou a formação do evento no Oceano Pacífico equatorial, aumentando as preocupações com possíveis reduções de chuvas em importantes regiões produtoras, como Brasil, Índia e Tailândia.
Na Índia, o órgão meteorológico reduziu recentemente sua projeção para as chuvas de monção entre junho e setembro para 90% da média histórica. Já a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) estima em 67% a probabilidade de ocorrência de um “Super El Niño”, que pode impactar significativamente a produção agrícola global.
No Brasil, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta produção de açúcar de 43,95 milhões de toneladas na safra 2026/27, queda de 0,5% em relação ao ciclo anterior, enquanto a produção de etanol deve crescer 7,2%. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) também prevê redução de 3% na produção brasileira de açúcar, para 42,5 milhões de toneladas, diante da maior destinação de cana para o biocombustível.
O fechamento do Estreito de Ormuz também permanece no radar dos investidores. Segundo a Covrig Analytics, as restrições na região já afetam cerca de 6% do comércio mundial de açúcar, limitando a produção de açúcar refinado em alguns mercados.
No cenário global, a Organização Internacional do Açúcar (ISO) elevou sua projeção de superávit para a safra 2025/26 para 2,2 milhões de toneladas, sustentada por uma produção recorde estimada em 182 milhões de toneladas. Para 2026/27, porém, a entidade prevê déficit global de 262 mil toneladas, citando justamente os possíveis impactos do El Niño sobre Índia e Tailândia.


