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Exportações de açúcar e etanol recuam em maio enquanto tarifas dos EUA entram no radar do setor

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Relatório do Itaú BBA mostra queda nos embarques do complexo sucroenergético e destaca que açúcar e etanol não estão entre os produtos isentos da proposta tarifária americana

As exportações brasileiras de açúcar e etanol registraram retração em maio, em um momento em que o setor também acompanha as discussões sobre a proposta de novas tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Os dados constam no relatório Radar Agro – Exportações do Agronegócio, divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA.

Segundo o levantamento, os embarques de açúcar VHP somaram 1,8 milhão de toneladas em maio, volume 10% inferior ao registrado no mesmo mês de 2025. Apesar da queda na comparação anual, o relatório destaca que os embarques se recuperaram frente a abril, refletindo o início da safra 2026/27 no Centro-Sul. O preço médio de exportação foi de US$ 345 por tonelada, recuo de 22% na comparação anual.

No açúcar refinado, as exportações alcançaram 159 mil toneladas, queda de 27% em relação a maio do ano passado. O preço médio foi de US$ 463 por tonelada, 7,9% abaixo do registrado no mesmo período de 2025.

O etanol apresentou a maior retração entre os produtos analisados pelo banco. Os embarques somaram apenas 17 mil metros cúbicos em maio, volume 79% inferior ao observado um ano antes. De acordo com o relatório, a competitividade do produto brasileiro foi comprometida no período. O preço médio permaneceu praticamente estável, em US$ 583 por metro cúbico.

Além do desempenho das exportações, o relatório chama atenção para o avanço das discussões comerciais entre Brasil e Estados Unidos. Em 1º de junho, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) concluiu a investigação da Seção 301 contra o Brasil e propôs a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, com prazo de implementação previsto para 15 de julho. Entre os temas citados na investigação está o acesso ao mercado de etanol.

O Itaú BBA destaca que diversos produtos do agronegócio foram incluídos na lista de exceções da proposta, entre eles café, carnes, frutas, cereais, sementes, fertilizantes e suco de laranja. Açúcar de cana e etanol, porém, não aparecem entre os itens isentos da medida.

Dados reunidos pelo banco mostram que, em 2025, os Estados Unidos importaram 424 mil toneladas de açúcar de cana brasileiro, gerando receita de US$ 233 milhões. No caso do etanol, os embarques totalizaram 256 mil toneladas, com receita de US$ 163 milhões.

Segundo o relatório, as audiências públicas sobre a proposta estão previstas para julho e, até o momento, não houve avanços concretos nas negociações entre os governos brasileiro e norte-americano.

Natália Cherubin para RPAnews

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