Tecnologias criadas pela engenharia brasileira prometem desempenho equivalente ao diesel e podem impulsionar a autossuficiência energética nas operações agrícolas
A AGCO, multinacional de máquinas agrícolas e tecnologias para o agronegócio, apresentou novas soluções de motorização movidas a etanol e biometano desenvolvidas especialmente para operações agrícolas. Projetados integralmente pela engenharia brasileira da companhia, os motores foram concebidos para equipar tratores de 200 cv a 300 cv e representam um novo passo na utilização de biocombustíveis nas atividades do campo.
Segundo a empresa, as tecnologias foram desenvolvidas ao longo de três anos em parceria com produtores rurais, usinas e concessionários, passando por validações em condições reais de trabalho em lavouras de cana-de-açúcar e grãos.
Os novos motores foram projetados desde sua concepção para operar com combustíveis renováveis, diferentemente de adaptações realizadas sobre plataformas originalmente desenvolvidas para diesel. No caso da versão a etanol, foram criados sistemas específicos de ignição e injeção, garantindo desempenho, confiabilidade e durabilidade equivalentes aos motores convencionais.
De acordo com Fabricio Natal, vice-presidente de Engenharia América Latina & APA da AGCO, a tecnologia já acumula mais de 10 mil horas de testes em campo. Segundo ele, os resultados demonstram que o motor entrega a mesma curva de torque e resistência dos modelos movidos a diesel, além de proporcionar menor nível de ruído durante a operação.
Para o setor sucroenergético, a tecnologia abre espaço para ampliar a utilização do etanol dentro das próprias operações agrícolas. A proposta é permitir que produtores de cana e de milho possam utilizar biocombustíveis produzidos a partir de suas próprias cadeias produtivas, reduzindo a dependência de combustíveis fósseis e fortalecendo a autossuficiência energética.
Além da versão a etanol, a AGCO apresentou um motor movido a biometano, combustível obtido a partir da transformação de resíduos agrícolas e biomassa. A solução tem potencial para ampliar o aproveitamento energético de subprodutos gerados em propriedades rurais e unidades agroindustriais, especialmente em regiões produtoras de cana-de-açúcar e milho.
Segundo a companhia, tanto o etanol quanto o biometano integram ciclos renováveis de carbono e podem reduzir em até 90% as emissões de CO₂ equivalente em comparação aos combustíveis fósseis. As tecnologias também podem contribuir para estratégias de agricultura de baixo carbono e para a geração de créditos de carbono.
A expectativa da AGCO é iniciar a comercialização dos motores movidos a biometano a partir de 2027. Já a versão movida a etanol deverá chegar ao mercado em 2028, ampliando as alternativas energéticas disponíveis para o agronegócio brasileiro e reforçando o papel dos biocombustíveis na descarbonização das operações agrícolas.


