Companhia processou 7,1 milhões de toneladas de cana, reduziu produção de açúcar e etanol e manteve investimentos em irrigação e eficiência operacional
A Jalles encerrou a safra 2025/26 com moagem de 7,076 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, redução de 10,1% em relação ao ciclo anterior. O desempenho refletiu principalmente os impactos climáticos sobre a produtividade agrícola, que afetaram os canaviais ao longo da temporada. Ainda assim, a companhia registrou receita líquida de R$ 2,149 bilhões, EBITDA ajustado de R$ 1,307 bilhão e lucro líquido de R$ 9,5 milhões, revertendo o prejuízo de R$ 55,9 milhões apurado na safra 2024/25.
A receita líquida da companhia totalizou R$ 2,149 bilhões, queda de 8,1% na comparação anual. Já o EBITDA ajustado somou R$ 1,307 bilhão, recuo de 11,8%, com margem EBITDA ajustada de 60,8%.
Na mensagem da administração, a companhia classificou a safra como um ciclo de “resiliência e adaptação”, marcado por desafios climáticos, menor produtividade agrícola e preços mais baixos do açúcar. Apesar das dificuldades, a empresa destacou que encerrou a temporada com produtividade agrícola de 74,5 toneladas por hectare, ligeiramente acima da média do Centro-Sul, estimada em 74,4 t/ha. “Esse resultado supera em 0,1% a média da região, mesmo com nossas plantas localizadas em estados que sofreram maior impacto climático”, disse a companhia em relatório.
Produtividade agrícola pressionou a safra
A área colhida avançou 3,4% e alcançou 94,8 mil hectares, refletindo os investimentos realizados pela companhia na expansão da área de corte. No entanto, a redução da produtividade limitou o volume processado.
O TCH consolidado recuou 11,9%, passando de 84,5 para 74,5 toneladas por hectare. Já o ATR produzido caiu 9,6%, para 985,6 mil toneladas. Em contrapartida, o ATR médio apresentou leve avanço de 0,5%, encerrando a safra em 139,3 kg por tonelada de cana.
Entre as unidades da companhia, a Jalles Machado registrou a maior redução de moagem, com queda de 17,1%, para 2,67 milhões de toneladas. Na Otávio Lage, a moagem recuou 4%, para 3,19 milhões de toneladas, enquanto Santa Vitória processou 1,21 milhão de toneladas, redução de 1,7%.
Segundo a administração, a menor incidência de chuvas nos meses de fevereiro e março impactou o desenvolvimento dos canaviais. Além disso, a companhia enfrentou desafios relacionados à matocompetição em áreas orgânicas, especialmente na unidade Jalles Machado.
Mesmo diante desse cenário, a empresa manteve o programa de renovação dos canaviais. Ao longo da safra, foram renovados 13,1 mil hectares, permitindo manter a idade média dos canaviais em 3,2 anos. Em Santa Vitória, a idade média caiu para 2,8 anos, refletindo o avanço do programa de renovação na unidade.
A companhia destacou que a estratégia busca acelerar a introdução de variedades mais produtivas e responsivas. “Essa estratégia visa a introdução acelerada de variedades mais responsivas e produtivas, reforçando o potencial de rendimento agrícola da unidade e preparando a base produtiva para os próximos ciclos”, disse a companhia em relatório.
Produção de açúcar e etanol recua, mas comercialização avança
A produção total de etanol somou 310,5 mil metros cúbicos na safra, queda de 13,2% em relação ao ciclo anterior. O volume de etanol anidro permaneceu praticamente estável em 102 mil metros cúbicos, enquanto o hidratado recuou principalmente em função do desempenho da unidade Santa Vitória.
Na produção de açúcar, a companhia registrou 436,6 mil toneladas, redução de 5,3%. O destaque foi o avanço de 34,4% na produção de açúcar VHP, que atingiu 135,1 mil toneladas. Já a produção de açúcar cristal recuou 12,4%, para 223,1 mil toneladas, enquanto o açúcar orgânico caiu 25,9%, totalizando 78,4 mil toneladas.
O mix de produção ficou mais açucareiro na comparação anual. O açúcar passou a representar 46,4% do mix total, ante 44,3% na safra anterior. Já a participação do etanol recuou de 55,7% para 53,6%.
Na comercialização, a Jalles vendeu 447,6 mil toneladas de açúcar e 315,3 mil metros cúbicos de etanol. As vendas de açúcar VHP cresceram 12,6%, alcançando 162,1 mil toneladas, enquanto o açúcar orgânico avançou 5,7%, para 75,3 mil toneladas.
Mesmo diante das oscilações tarifárias observadas no mercado norte-americano, a companhia afirmou ter mantido competitividade no segmento orgânico. “Mantivemos a comercialização de açúcar orgânico com volumes e preços competitivos, reforçando a fortaleza desse mercado como fonte de receita não correlacionada às commodities”, disse a companhia em relatório.
Outro destaque da safra foi a comercialização de CBIOs. O volume negociado cresceu 73,8% na comparação anual, alcançando 641,7 mil créditos.
Investimentos e estrutura financeira seguem como destaque
Os investimentos da companhia totalizaram R$ 676,5 milhões na safra 2025/26, redução de 9,1% em relação ao ciclo anterior. Entre os principais projetos, a Jalles destacou o avanço da irrigação na unidade Santa Vitória. Foram implantados 680 hectares irrigados e aproximadamente 4,5 mil hectares de áreas de salvamento, que deverão contribuir para os resultados das próximas safras. Além disso, a companhia iniciou a expansão de outros 600 hectares irrigados.
A empresa também concluiu a implantação da fábrica de adubo líquido na unidade Jalles Machado, projeto que deverá ampliar a precisão na aplicação de insumos e contribuir para ganhos de eficiência operacional. Os investimentos também seguiram concentrados na expansão da área de corte e na busca por maior utilização da capacidade industrial das unidades.
Segundo a administração, os investimentos realizados nos últimos anos seguem focados no aumento da produtividade agrícola e na utilização mais eficiente dos ativos industriais. “Seguimos priorizando a expansão da área de corte para atingir a plena capacidade de moagem, com avanço consistente nos projetos de irrigação”, disse a companhia em relatório.
No resultado financeiro, a companhia contou ainda com o desempenho positivo das operações de hedge. O efeito combinado das liquidações e marcações a mercado totalizou R$ 299,6 milhões, crescimento de 219% em relação à safra anterior.
A dívida líquida encerrou a safra em R$ 1,721 bilhão, praticamente estável em relação ao ciclo anterior, enquanto a alavancagem permaneceu em 1,3 vez dívida líquida sobre EBITDA ajustado.
Ao longo da safra, a Jalles captou cerca de R$ 1,3 bilhão por meio de debêntures, CRA, recursos do programa Brasil Soberano e financiamento junto ao IFC. Segundo a companhia, as operações reforçaram a liquidez e a capacidade de investimento da empresa. “Reforçamos nossa sólida posição financeira, o rating AAA e a credibilidade no mercado de crédito”, disse a companhia em relatório.
Natália Cherubin para RPAnews



