Tecnologia desenvolvida pela Sardrones, em parceria com a Unidade Embrapii da Esalq/USP, mecaniza o controle biológico e reduz o uso de inseticidas no campo
Uma tecnologia inovadora apoiada pela Embrapii está mudando a forma de combater pragas nas lavouras de cana-de-açúcar no Brasil. Desenvolvida pela empresa Sardrones em parceria com a Unidade Embrapii da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), a solução utiliza drones para liberar vespas no campo e controlar a broca da cana-de-açúcar, uma das principais ameaças à produtividade do setor.
O projeto surgiu a partir de um problema prático. O controle biológico, tradicionalmente manual, expõe trabalhadores a condições insalubres e limita a escala da operação. “É um trabalho perigoso, com calor, presença de animais e esforço físico elevado com baixo rendimento”, afirma o agrônomo Gustavo Scarpari, fundador da Sardrones.
A proposta foi mecanizar esse processo. Drones passaram a distribuir a vespinha Cotesia flavipes, uma inimiga natural da broca. O sistema utiliza embalagens biodegradáveis lançados por dispensers em drones de forma precisa sobre a plantação. Isso garante maior uniformidade e eficiência no controle da praga.
O desenvolvimento passou por várias etapas. As primeiras versões eram simples e sem escala industrial. “Começamos com um sachê biodegradável, que funcionou bem. Mas precisávamos ganhar escala. Foi quando surgiu a parceria com a Embrapii”, explica Scarpari.
O apoio da Embrapii foi essencial para viabilizar o avanço tecnológico. A parceria com a Esalq/USP permitiu otimizar o uso do agente biológico no campo. “Trabalhamos na definição da melhor forma de aplicação, número ideal de liberações, horários e custo-benefício, além de avaliar a eficiência do método”, afirma o entomologista e professor José Maurício Bento.
Na prática, o drone sobrevoa o canavial e libera os dispensers com as vespas. Elas parasitam a broca ainda na fase de lagarta. O processo é monitorado por mapas de voo, que registram os pontos de aplicação e garantem rastreabilidade.
Além dos ganhos operacionais, a tecnologia contribui para a sustentabilidade. O uso de controle biológico reduz a aplicação de inseticidas e preserva organismos benéficos. “O principal ganho é evitar aplicações químicas”, destaca Bento.
Há também impacto econômico. A redução de químicos favorece certificações internacionais e pode gerar maior valorização do produto. “Quanto mais biológico se usa, maior a chance de obter prêmio no preço do açúcar”, afirma Scarpari.
A tecnologia já começou a ser utilizada em outras culturas, como soja, milho, café e frutas. Isso amplia seu potencial de mercado. Para especialistas, o projeto mostra como a integração entre demanda do setor produtivo, pesquisa aplicada e financiamento adequado acelera a inovação. “Quando a empresa cresce, gera empregos, arrecada mais impostos e contribui para novos investimentos em ciência”, conclui Bento.



