Monetização dos créditos permitiu redução do endividamento e fortaleceu a estrutura financeira da companhia; advogado Bruno Durão destaca que precatórios podem ser instrumentos de gestão patrimonial e empresarial
A recente operação realizada pela Usina Coruripe, que converteu parte de seus créditos judiciais em R$ 1,5 bilhão em recursos imediatos, voltou a chamar a atenção do mercado para o potencial econômico dos precatórios. A estratégia permitiu à companhia fortalecer sua estrutura financeira e reduzir passivos, em um movimento que evidencia como esses ativos têm sido utilizados de forma cada vez mais sofisticada por grandes empresas.
A empresa informou que os efeitos da operação sobre as finanças da companhia, incluindo os ajustes decorrentes do deságio e a redução das obrigações com instituições financeiras, serão refletidos nas demonstrações contábeis de junho.
Para o advogado tributarista Bruno Medeiros Durão, especialista em precatórios, o caso representa uma mudança na forma como esses créditos são encarados. Segundo ele, ativos que antes eram vistos apenas como valores a serem recebidos no futuro passaram a integrar o planejamento financeiro e patrimonial das companhias, funcionando como instrumentos de geração de liquidez e reorganização do caixa.
O caso demonstra que esses ativos deixaram de ser vistos apenas como créditos de recebimento futuro e passaram a integrar a estratégia financeira de grandes empresas.
“Os precatórios possuem valor econômico e podem ser utilizados como instrumentos de gestão. A monetização desses créditos permite transformar um ativo que, em muitos casos, teria prazo mais longo de recebimento, em liquidez imediata, possibilitando redução do custo financeiro, reorganização do passivo e fortalecimento do caixa”, explica.
Na avaliação do especialista, operações desse tipo evidenciam a maturidade do mercado de precatórios e o interesse crescente de investidores e instituições financeiras por esses ativos.
“Hoje existe um ambiente muito mais sofisticado em torno dos precatórios. Grandes companhias têm percebido que esses créditos podem ser empregados estrategicamente para melhorar indicadores financeiros e criar espaço para novos investimentos. O caso da Coruripe mostra que os precatórios não são apenas uma questão jurídica, mas também uma ferramenta relevante de gestão empresarial”, afirma Durão.
O advogado ressalta ainda que operações envolvendo monetização de créditos exigem análises técnicas detalhadas, especialmente em relação ao deságio aplicado, ao prazo esperado para pagamento e aos impactos tributários e contábeis da transação.
“Cada operação precisa ser estruturada de forma individualizada. O valor do crédito, o risco envolvido, a previsão de pagamento e o custo de oportunidade são fatores que precisam ser considerados para que a antecipação seja realmente vantajosa. Quando bem planejada, a monetização pode representar uma solução financeira extremamente eficiente”, concluiu.
A Coruripe possui mais de R$ 4 bilhões em precatórios registrados em balanço, dos quais uma parcela foi convertida em caixa na operação mais recente. A companhia figura entre os maiores grupos sucroalcooleiros do país e faturou mais de R$ 4 bilhões na última safra.



